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27/11/2004 - 10h14
Mulheres em NY aderem a esporte violento sobre patins

Por Ellen Wulfhorst

NOVA YORK (Reuters) - Tami Heaton tem uma costela quebrada, Karin Bruce machucou o lábio e Natily Blair quebrou um braço. E elas têm orgulho disso.

Profissionais sofisticadas de dia, essas nova-iorquinas passam suas noites revivendo um esporte nada sofisticado: o roller derby, uma espécie de misto de patinação com luta livre.

Num velho rinque de patinação num bairro decadente do South Bronx, os novos times de roller derby de Nova Yorque competem com um misto de habilidade, coragem e agressividade -- sem falar em meias arrastão, muito delineador preto e várias tatuagens.

"Você tem um emprego de dia onde você tem sua vida profissional, e, à noite, sai para dar porradas", disse Heaton, que tem 32 anos, é gerente de um Web site de Manhattan e usa sombra com glitter nos olhos e os cabelos presos com maria-chiquinhas.

Seu codinome no roller derby, estampado nas costas do uniforme de seu time (que inclui minissaia), é Sybil Disobedience.

Com outras jogadoras usando nomes como Baby Ruthless (Baby Implacável) e Venus Demolish (Vênus Demolição), as patinadoras se espalham pela pista, armadas com capacetes, protetores de boca, joelheiras e cotoveleiras.

Elas tentam bloquear o caminho da atacante do time oposto, que marca um ponto cada vez que passa por uma jogadora do time contrário.

Bloquear a passagem de jogadoras com o corpo é permitido, dar cotoveladas, também. Mas passar rasteiras e brigar é proibido. Cair é inevitável.

ENTRETENIMENTO POPULAR

Sem regras oficiais, os dois juízes -- o marido de uma jogadora e o namorado de outra -- tentam manter a ordem no caos.

Blair, que é atriz profissional e, no roller derby, é conhecida pelo apelido Ginger Snap, diz que pratica o esporte porque é terapêutico -- "sem falar que é superdivertido patinar de meia arrastão e dar porradas em outras mulheres".

O roller derby surgiu como entretenimento popular e barato na década de 1930, durante a Grande Depressão.

Muitos norte-americanos ainda se recordam das partidas televisionadas da década de 1970, com times de mulheres duronas patinando por rinques fechados, xingando e empurrando umas às outras. O esporte foi visto como o precursor da luta livre profissional contemporânea.

Os organizadores dos campeonatos atuais de roller derby feminino, que incluem times recém-formados em Austin (Texas), San Francisco, Las Vegas e Seattle, dizem que o esporte é "pós-feminista" e dá poder às mulheres.

Deixando as definições políticas de lado, o fato é que o roller derby agrada ao público.

As mulheres que o praticam dizem que o esporte exige tanto aptidão quanto atitude.

"Você não pode ter medo de cair, não pode ter medo de se meter ali no meio e dar e receber cotoveladas", disse Heaton. "E não pode pedir desculpas. Não existem desculpas no roller derby."

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