O Partido dos Trabalhadores, pela primeira vez, foi a sigla mais votada numa eleição municipal, tanto no primeiro como no segundo turnos. O partido do presidente se espalhou pelo país, ganhou cidades médias e capitais do Norte-Nordeste - como
Macapá (AP),
Palmas (TO),
Rio Branco (AC) e
Porto Velho (RO)-, mas perdeu o domínio dos
grandes centros urbanos. O PT não fez nenhuma capital nas regiões Sul e Centro-Oeste e ganhou nas duas menores capitais do Sudeste,
Belo Horizonte (MG) e
Vitória (ES). Obteve ainda a reeleição de
João Paulo, em Recife (PE), e
Marcelo Déda, em Aracaju (SE).
O partido do presidente Lula foi rejeitado no segundo turno em quatro capitais onde detinha a prefeitura - São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Belém (PA) e Goiânia (GO).
As cidades maiores foram conquistadas pelos tucanos - entre as capitais estão São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Florianópolis (SC). O PSDB passa a governar prefeituras que somam o maior número de eleitores no país; serão 8,56 milhões de eleitores a mais que os petistas.
Uma significativa vitória do PT foi em Fortaleza (CE). Mesmo abandonada pela cúpula do partido, que apoiou o candidato do PC do B, Inácio Arruda, a deputada estadual Luizianne Lins foi eleita no 2º turno.
São Paulo e Rio
Em São Paulo, Marta Suplicy, que tentava a reeleição, perdeu para o tucano José Serra (PSDB), que, em 2002, foi derrotado por Lula na disputa presidencial.
Retribuindo a ajuda que recebeu naquela eleição, o presidente entrou com força como cabo eleitoral de Marta: foi multado em R$ 50 mil por ter pedido votos à prefeita em inauguração de uma obra pública durante a campanha. A cena foi exibida com destaque no horário eleitoral da prefeita. O "menino propaganda" de Serra foi o governador Geraldo Alckmin.
No Rio de Janeiro o vitorioso foi Cesar Maia (PFL), que por pouco não foi ao segundo turno contra o senador Marcelo Crivella (PL). O maior derrotado foi o casal Garotinho (PMDB), que comanda o governo do Estado.
Além de perder poder na capital com a derrota de Luiz Paulo Conde (PMDB), o ex-governador Anthony Garotinho (1999-2002) e a atual governadora Rosinha Matheus perderam pela primeira vez o domínio na cidade de Campos (Norte Fluminense), berço político do casal. Ambos empenharam-se pessoalmente na campanha conturbada e cheia de denúncias.
Outros partidos
Além da derrota dos Garotinho, outros caciques políticos perderam força: em Salvador (BA), o candidato de Antônio Carlos Magalhães, o senador César Borges (PFL), obteve 25,31% dos votos válidos contra 74,69% de Luiz Henrique (PDT). Outro pefelista obteve saldo negativo: em Manaus (AM), o ex-governador Amazonino Mendes perdeu para o PSB de Serafim Corrêa.
O PFL, por sinal, teve um resultado bem abaixo do de 2000. Perdeu as duas capitais onde disputou o segundo turno, Salvador (BA) e Manaus (AM), e ganhou em 6 das 96 cidades mais importantes. Terá 238 prefeituras a menos.
Embora também tenha encolhido, o PMDB continuará a ser o partido com maior número de prefeituras. Vai controlar 1.059 cidades (contra 1.257 atualmente), governando 16,890 milhões de eleitores (14,1%). Entretanto, o PMDB não elegeu nenhum prefeito nas cidades com mais de 1 milhão de eleitores, apesar de vencer em duas capitais: Goiânia (GO), com o ex-governador Íris Rezende, e Campo Grande (MS).
Se o PFL e PMDB perderam prefeituras, o PDT se reergueu mesmo com a morte de seu maior líder em julho, Leonel Brizola. O partido aumentou de 288 para 305 o número de prefeitos, conquistando além de Salvador outras capitais: Maceió (AL), com Cícero Almeida, e São Luís (MA).
Entre os aliados do presidente Lula, o PL passou de 234 para 382 prefeituras, embora não tenha vencido em nenhuma capital. O PSB, por sua vez, conseguiu três capitais -João Pessoa (PB), Manaus (AM) e Natal (RN)- e cresceu de 133 para 176 prefeituras. Também registraram crescimento o PPS, que passou de 166 para 306 prefeituras e ainda venceu em Porto Alegre (RS) e Boa Vista (RR), e o PTB, que avançou de 398 para 425 prefeituras e levou Belém (PA).
Reeleição, mulheres e novas eleições
Mesmo com o eleitorado feminino (51,18%) maior que o masculino (48,66%), a candidatura masculina continuou dominando o cenário político nacional: foram 14.282 candidatos (90,51%) contra 1.497 candidatas (9,49%) a prefeito. No caso dos vereadores, foram 269.684 homens (77,85%) contra 76.658 mulheres (22,13%). Uma curiosidade: 33 não informaram o sexo no formulário de registro de candidatura.
O ato de votar também não significa renovação: seja pela quantidade de municípios (91) com candidaturas únicas a prefeito ou pela alta taxa de reeleição (27,6% dos candidatos foram reconduzidos ao cargo, segundo o TSE).
E para aqueles que pensam que o dia da eleição no segundo turno (31 de outubro) foi o último dia do pleito, um aviso. Oito municípios tiveram que voltar às urnas porque mais de 50% dos votos foram nulos.
E tem mais: o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) avisam que ainda estão analisando pedidos de anulação da eleição de outros municípios, o que significa que mais cidades poderão ter novas eleições no ano que chega.