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29/12/2004 - 13h49
77 mil morrem; sobreviventes lutam contra fome

Ondas lançam carro contra templo budista
As gigantescas ondas que castigaram o oceano Índico no final de semana fizeram ao menos 76.697 mortos e deixaram cerca de 5 milhões de desamparados. Sobreviventes lutam contra fome e doenças.

Segundo a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, os mortos pelo desastre podem chegar a 100 mil quando as cifras de vítimas das ilhas Andaman e Nicobar, na Índia, forem conhecidas.

Muitos dos que escaparam da morte enfrentam agora a luta pela sobrevivência contra a fome e as doenças. A Organização das Nações Unidas (ONU) mobilizou o que está o que está sendo classificada como a maior operação de ajuda de sua história.

David Nabarro, chefe da equipe de crises de saúde da ONU, disse que até 5 milhões de pessoas não têm acesso ao essencial para sobreviver.

"Talvez até 5 milhões de pessoas não estejam conseguindo acessar as coisas de que precisam para viver. Elas podem estar tanto sem água como saneamento ou podem não conseguir alimentos", afirmou David Nabarro, à frente de uma equipe de crise de saúde da ONU.

Segundo ele, as agências da ONU tentam finalizar uma lista de necessidades imediatas para enviar a países doadores ainda nesta quarta-feira.

Um tsunami foi gerada no domingo por um terremoto de magnitude 9,0, o maior do mundo em 40 anos, perto da ilha de Sumatra, na Indonésia.

Os países que registraram o maior númerode mortos são: Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia, Maldivas, Malásia, Somália e Mianmar. Indonésia tem o maior número de vítimas. Mianmar, o menor. Veja tabela abaixo:

PAÍSMORTOSFERIDOS
Indonésia45.268mais de 100 mil
Sri Lanka22.493sem dados
Índia6.974sem dados
Tailândia1.6578.954
Somália, Quênia, Seychelles e Tanzânia136sem dados
Maldivas67sem dados
Malásia64218
Myanmar3645
Bangladesh2sem dados

Cientistas dos EUA afirmaram que o tremor movimentou placas tectônicas abaixo do oceano Índico em até 30 metros, o que levou a uma oscilação do eixo da Terra e a um encurtamento permanente dos dias em uma fração de segundo.

A Indonésia tem o maior número de vítimas, com 45.268 mortos registrados até agora, embora o número possa subir para até 80 mil apenas em Aceh, a província mais próxima ao epicentro do terremoto, alertou uma autoridade da ONU.

O presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, mencionou "histórias assustadoras" vindas de partes distantes da província.

O mau cheiro dos corpos em decomposição se espalha por toda a capital provincial, Banda Aceh, e os suprimentos de água potável, alimentos e combustível estão acabando. Muitos na cidade temem novos terremotos e uma tsunami, e as estradas estão lotadas de pessoas indo embora.

"Não há comida aqui. Precisamos de arroz, precisamos de gasolina, precisamos de remédios. Não como há dois dias", contou Vaiti Usman, uma mulher na faixa dos 30 anos, que disse que o sarongue sujo que vestia era tudo o que lhe restava.

Com cidades devastadas e as comunicações abaladas, os sobreviventes terão uma difícil batalha por comida e água potável pela frente

Monges budistas distribuem arroz e curry para vítimas no Sri Lanka, e aeronaves lançam suprimentos em cidades isoladas da Indonésia. O Programa Mundial de Alimentos também envia alimentos para o Sri Lanka, e a Cruz Vermelha mobilizou equipes de saneamento para os dois países.

A Munich Re, a maior resseguradora do mundo, estima que o custo da destruição ultrapasse os US$ 13 bilhões.

O papa João Paulo 2º apelou ao mundo por generosidade com os sobreviventes.

"No espírito de Natal desses dias, convido a todos os fiéis e homens de boa vontade para contribuir generosamente com esse grande esforço de solidariedade", disse ele.

(Texto de Tomi Soetjipto e Dean Yates)

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