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30/12/2004 - 10h20
88 mil morrem; ajuda internacional começa a chegar

Ondas lançam carro contra templo budista
As gigantescas ondas que castigaram o oceano Índico no final de semana fizeram pelo menos 88.142 mortos, segundo os dados mais recentes divulgados nesta quinta-feira. A ajuda humanitária internacional começa a chegar aos países mais afetados pela tragédia. Contudo, a quantidade ainda é insuficiente para surpria a necessidade dos cerca de 5 milhões de desamparados na Ásia e África.

Funcionários de ajuda que tentam chegar a áreas isoladas da Ásia atingidas pela tsunami enfrentam a devastação nesta quinta-feira, com cidades e aldeias destruídas, pessoas em busca de água e comida -- algumas ficando mais irritadas ou doentes.

Organizações de ajuda, que já se preparam para uma grande operação, disseram que precisam de mais assistência do que pensavam.

A operação já um dos maiores exercícios humanitários na história e 60 países já prometeram mais de 220 milhões de dólares em dinheiro e centenas de milhares de dólares em suprimentos de emergência.

Centenas de toneladas de suprimentos médicos foram levados de avião para a região, mas as Nações Unidas admitem que somente uma fração da ajuda já chegou onde é necessária, nas áreas costeiras onde a onda gigante de domingo matou mais de 80.000 pessoas.

"Estamos fazendo muito pouco no momento", reconheceu o coordenador de ajuda de emergência da ONU, Jan Egeland, em Nova York. Equipes de ajuda chegaram a muitas áreas atingidas, mas ainda é pouco na região onde até 5 milhões de pessoas passam necessidades.

"Vai levar talvez entre 48 e 72 horas para podermos responder às dezenas de milhares de pessoas que gostariam de ter assistência hoje -- ou melhor, ontem", disse. "Acho que a frustração vai crescer nos próximos dias e semanas."

PAÍSMORTOSFERIDOS
Indonésia52.000mais de 100 mil
Sri Lanka22.799sem dados
Índia10.850sem dados
Tailândia1.9768.954
Somália, Quênia, Seychelles e Tanzânia142sem dados
Maldivas75sem dados
Malásia66218
Myanmar9045
Bangladesh2sem dados

Algumas pessoas não comem desde domingo e enfrentam agora a luta contra infecções de doenças como elefantíase, cólera, febre tifóide, hepatite, bronquite, pneumonia, malária, meningite e febre hemorrágica.

Da Indonésia ao Sri Lanka a história é igual, com pessoas, muitas delas feridas e com fraturas e cortes, procurando por água e comida entre corpos e destroços nas ruas.

Na província de Aceh, na Indonésia, duramente atingida, multidões gritaram "arroz, arroz" quando os primeiros caminhões de ajuda chegaram a Banda Aceh, capital local. Mas alguns ficaram nervosos por não terem consigo comida, que era muito pouca.

"Como pode ser? Acabou o arroz em tão pouco tempo?", disse Sidiq Yunus. "Há cinco famílias vivendo na minha casa. Não comemos há três dias."

Navios

Navios dos Estados Unidos, Japão e Austrália estão a caminho da área do desastre com hospitais e usinas de desalinização de água a bordo.

Sete dos navios dos EUA podem produzir 342.000 litros de água limpa por dia e outro pode montar um hospital em cerca de uma semana quando chegar à Tailândia.

A Austrália disse que mandará três helicópteros para a Indonésia.

A organização de caridade Oxfam disse que grupos de ajuda estão "se preparando para o desafio", mas pediu para a ONU liderar a luta.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, interrompeu férias para coordenar a operação de ajuda a partir de Nova York. A ONU fará um apelo por ajuda em 6 de janeiro.

No Sri Lanka, médicos disseram que os sobreviventes estão ficando doentes.

"Eles precisam mais de remédios do que de comida e roupas agora, alguns estão com febre alta...se não tratarmos agora, muitos outros serão infectados qualquer que seja a doença que tenham", disse M. Rodrigo, secretário distrital de Trincomalee, na costa noroeste inundada pela Tsunami.

Malária e dengue são endêmicas no sudeste da Ásia e a água parada e poluída cria as condições ideais para mosquitos disseminarem as doenças.

80% da costa afetada

A Cruz Vermelha disse que sua prioridade na província de Aceh, na Indonésia, é prevenir a disseminação de doenças provocadas pela água.

"Água para beber contaminada é a causa mais séria de morte e doenças depois de uma crise assim", disse Gerald Martone, diretor de programas de emergência das Sociedades Internacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

"Temos que reagir rapidamente."

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que os sobreviventes também enfrentam contaminação química por causa da inundação de armazéns de fábricas, que liberaram produtos químicos perigosos.

A OMS estima que 80 por cento da costa oeste de Aceh tenha sido atingida e afirma que apenas um hospital está funcionando na região, sem eletricidade e combustível. Muitas estradas estão bloqueadas.

A ONU pretende levar abrigos de emergência para mais de 100.000 pessoas em Aceh. A CARE Indonésia vai distribuir 100.000 sistemas de água, que podem fornecer água para um família durante um mês.

Autoridades da ONU disseram que 5.000 sacos para corpos foram levados para Meulaboh na quarta-feira e que 50 geradores para hospitais serão enviados a Banda Aceh nesta quinta-feira.

O Programa Mundial de Alimentação está começando a distribuir toneladas de biscoitos com vitaminas e oito toneladas de macarrão também fortificado.

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