Por Julio César Villaverde
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A América Latina, acostumada a desastres naturais graves, começou a enviar ajuda, embora modesta, às vítimas das ondas gigantes que atingiram o sul da Ásia no domingo.
A colaboração teve início nos países que sofreram na própria carne a tragédia dos terremotos, como Chile e México, ou de inundações e desabamentos, como a Venezuela.
O Brasil, que nunca teve desastres sísmicos, prometeu o envio imediato de 18 toneladas de alimentos e remédios. No Rio de Janeiro, que promete fazer na sexta-feira a maior festa de réveillon do mundo, o comandante de um batalhão policial resolveu também ajudar.
O tenente-coronel da PM Renato Fialho, comandante do batalhão do Leblon, colocou o local à disposição das doações. "Já temos umas três toneladas de alimentos e remédios", disse à Reuters um representante do batalhão.
O grupo Ação pela Cidadania, que recolheu mil toneladas de alimentos para o programa "Natal sem Fome", decidiu doar várias toneladas que não tinham sido entregues às comunidades pobres do Rio.
"Acho que o Brasil foi afetado, assim como todo o mundo, por um desastre dessas proporções (...), e a população brasileira é muito solidária, tanto com as pessoas daqui como com as do exterior", afirmou Divina Brandão, sobre a decisão de enviar os alimentos para o Sri Lanka.
O governo brasileiro anunciou que enviará, num avião da FAB, 18 toneladas de alimentos e medicamentos.
O governo do México, cuja capital foi sacudida em 1985 por um terremoto que matou cerca de 35 mil pessoas, anunciou uma doação de 100 mil dólares ao Escritório de Ajuda Humanitária da ONU.
O México também pretende enviar uma equipe de especialistas em saúde e em abrigos. Um grupo da Brigada de Resgate Topos de Tlatelolco, especializada no resgate de pessoas e corpos, que nasceu por causa do terremoto de 1985, já viajou à Indonésia.
VÍTIMAS DA AMÉRICA LATINA NA ÁSIA
A Venezuela, que em dezembro de 1999 sofreu inundações e deslizamentos de terra que mataram entre 25 mil e 30 mil pessoas, criou um fundo de ajuda humanitária para o sul da Ásia, com capital inicial de 2 milhões de dólares. O governo também ofereceu pessoal especializado em resgate e proteção civil para um eventual contingente multinacional, que reduza os custos de envio de pessoal, material e equipes para os países atingidos.
Também houve resposta no Chile, país onde em 1939 um terremoto matou 30 mil pessoas, e que em 1960 registrou o abalo mais forte da história, com 9,5 graus na escala Richter e 5.000 mortos, na região de Valdivia, no sul.
No sábado partirá para a Indonésia um grupo de cinco médicos e um engenheiro, especialistas em resgate e gestão hospitalar em catástrofes naturais. O governo chileno também abriu uma conta para que os cidadão colaborem com as vítimas.
A Argentina disse que enviará na sexta-feira para Bangcoc comprimidos para purificar água para 1 milhão de pessoas, no valor de cerca de 50 mil dólares, e ofereceu voluntários para ajudar no trabalho da ONU.
A América Latina teve relativamente poucas vítimas entre seus cidadãos na tragédia, em comparação a outras partes do mundo. Entre os casos confirmados de mortes estão o da diplomata brasileira Lys Amayo de Benedeek e seu filho Gianluca, 10 anos, que morreram na ilha de Phi Phi, na Tailândia.
A professora de educação física chilena Francisca Cooper, 27 anos, desapareceu num hotel na mesma ilha, onde passava a lua-de-mel. O marido ficou levemente ferido.
Até quinta-feira, a chancelaria mexicana dava conta de quatro cidadãos desaparecidos na Tailândia.
(Reportagem adicional de Ignacio Badal em Santiago do Chile, Rodrigo Martínez na Cidade do México, Fabián Cambero em Caracas e César Illiano em Buenos Aires)