As primeiras doenças transmissíveis já aparecem nas zonas castigadas pelo maremoto de 26 de dezembro, declarou neste sábado um dirigente da Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Há cada vez mais informações sobre a erupção de enfermidades diarréicas procedentes de acampamentos de desabrigados no Sri Lanka e na Índia", declarou à imprensa o representante do diretor-geral da OMS para crises, David Nabarro.
"Isso não nos alarma porque estávamos esperando. O que temos de fazer é assegurar a continuação da distribuição dos meios de reidratação e os tratamentos contra a diarréia", acrescentou.
Em relação à ajuda contra a crise, Nabarro ressaltou que a "operação internacional é incrivelmente forte. Há distritos que se desenvolvem bem em grande parte do Sri Lanka".
No entanto, "serão necessários mais alguns dias para afirmar que poderemos evitar grandes focos de doenças".
A OMS pediu nesta quinta-feira à comunidade internacional uma ajuda de 40 milhões de dólares, que seriam destinadas às necessidades sanitárias imediatas das populações golpeadas pelo maremoto.
"Não há dúvida alguma de que esse objetivo será alcançado", concluiu Nabarro.
Ajuda do Japão
O Japão prometeu, neste sábado, fornecer 500 milhões de dólares em ajuda às nações atingidas pela tsunami na região do Oceano Índico, que matou mais de 127.000 pessoas, informou a agência de notícias Kyodo, citando um comunicado do governo japonês.
O primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, deve participar de um encontro de líderes mundiais na quinta-feira para discutir planos de ajuda, informou a Kyodo.
Nicobar e Andaman
O governo indiano não permitiu que membros de organizações humanitárias e voluntários internacionais entrassem nas regiões mais atingidas pelo maremoto que devastou países do sul da Ásia e África no domingo (26). Em Andaman e Nicobar, dois dos locais mais afetados, não está claro o número exato de vítimas. As pessoas sofrem com a falta de água e alimentos.
Autoridades indianas tradicionalmente barram a entrada de estrangeiros na maioria das ilhas. Um dos motivos é a segurança, já que há uma base da Força Aérea indiana em Car Nicobar. Há também um grupo de indígenas que habitam a região, que seriam especialmente protegidos pelo governo. Até mesmo os indianos precisam de permissão especial para ir ao local.
| PAÍS | MORTOS | FERIDOS |
| Indonésia | 80.428 | mais de 100 mil |
| Sri Lanka | 28.729 | sem dados |
| Índia | 12.709 | sem dados |
| Tailândia | 4.812 | 8.954 |
| Somália, Quênia, Seychelles e Tanzânia | 137 | sem dados |
| Maldivas | 67 | sem dados |
| Malásia | 72 | 218 |
| Mianmar | 53 | 45 |
| Bangladesh | 2 | sem dados |
Com o número de mortos acima de 100 mil, esse passa a figurar entre as grandes tragédias naturais de que se tem notícia. Veja tabela abaixo com os principais.
| DATA | TIPO | LOCAL | MORTOS |
| 1887 | Inundação | China | 1 milhão |
| 1556 | Terremoto | China, Shaansi | 830 mil |
| 1737 | Terremoto | Índia, Calcutá | 300 mil |
| 1970 | Ciclone | Paquistão/Bangladesh | 300 mil |
| 1976 | Terremoto | China, Tangshan | 255 mil |
| 1138 | Terremoto | Síria, Aleppo | 230 mil |
| 1920 | Terremoto | China, Gansu | 200 mil |
| 1923 | Terremoto | Japão, Kanto | 143 mil * |
| 1991 | Ciclone | Bangladesh | 138 mil |
| 1948 | Terremoto | Turcomenistão | 110 mil |
| 1908 | Terremoto/Enchentes | Itália, Messina | 70 mil a 100 mil |
| 1815 | Erupção | Indonésia, vulcão Tambora | 92 mil |
| 1902 | Erupção | Martinica, Mt. Pelee | 35 mil a 40 mil |
| 1883 | Erupção/Tsunami | Indonésia, Krakatoa | 36 mil |
| 2003 | Terremoto | Irã, Bam | 31 mil |