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18/02/2005 - 16h48
PP agora quer dois ministérios para ficar com Lula

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA (Reuters) - A ascensão de Severino Cavalcanti (PP-PE) à presidência da Câmara dos Deputados, terceiro posto na hierarquia da República, engordou a agenda de demandas do Partido Progressista. A sigla quer um melhor tratamento por parte do Executivo e deseja pelo menos dois ministérios, um a mais do que o Planalto estudava.

"Nós queremos um tratamento digno da importância do PP no governo", afirmou o presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), em entrevista à Reuters nesta sexta-feira.

O deputado foi direto: "Nos termos do Lula, nós não temos a necessidade de um ministério. Agora, queremos tratamento igual ao PL, que tem a Defesa e os Transportes", afirmou Corrêa, provavelmente referindo-se a especulações que davam ao partido da base aliada apenas o Ministério dos Esportes.

O PP irritou-se com a demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em concluir a reforma ministerial e revidou com a candidatura de Severino, que recebeu a maior parte dos votos da bancada progressista de 50 deputados, abandonando a candidatura oficial de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

"Se o Lula tivesse dado o ministério para nós, não teríamos colocado o Severino como candidato", afirmou Corrêa.

A promessa havia sido feita antes do segundo turno das eleições municipais, no ano passado, mas Lula adiou a concretização da reforma em pelo menos duas oportunidades e deixou para realizá-la após a eleição na Câmara.

O nome do partido para ocupar um ministério é o ex-líder da bancada na Câmara, Pedro Henry (MT).

Em encontro no Palácio do Planalto na quinta-feira, o primeiro dos dois, Lula voltou a manifestou a Severino o desejo de dar ao PP um ministério, mas ouviu como resposta que este era um assunto da bancada e não do presidente da Câmara.

DELFIM NO PLANEJAMENTO

O presidente do partido não quis especificar as pastas que o partido deseja, mas disse que gostaria de ocupar ministérios da área política. Ele também afirmou que o partido tem interesse no Planejamento, que é ocupado por um ministro interino desde que Guido Mantega assumiu a presidência do BNDES.

"Acho que seria um bom ministério, até porque o ministro Delfim seria um bom quadro para fazer a economia entrar no rumo", disse, referindo-se ao deputado Antônio Delfim Netto (PP-SP), que já foi ministro da Fazenda (1967-1974) e do Planejamento (1979-1985), dos governos militares.

SEVERINO PRESIDENTE

A derrota do PT na Câmara dos Deputados deve definir dois movimentos do governo que visam a reeleição do presidente Lula em 2006. Além da reforma ministerial para consolidar a base de apoio do governo no Congresso, começam os movimentos de alianças político-partidárias para a chapa presidencial.

Apesar de Corrêa descartar o afastamento do governo federal e prometer permanecer aliado do Palácio do Planalto nos próximos dois anos, ele é cauteloso com o tema da eleição 2006.

"É cedo para discutir isso. Precisamos ver como vai estar a figura número um do partido, que é o Severino. Dependendo do seu trabalho, o Severino pode ter uma popularidade igual ao do Lula. Por enquanto, o Severino é o nosso presidenciável" afirmou deputado.

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