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02/04/2005 - 19h16
João Paulo II sempre esteve ligado ao esporte
Por Antonio Tomás
Madri, 2 abr (EFE).- O papa João Paulo II, que morreu neste
sábado no Vaticano, ficará conhecido, entre outras coisas, como o
"atleta de Deus" por sua ligação com o esporte.
Todas as biografias sobre Karol Wojtyla (nascido em Wadowice,
Polônia, em 18 de maio de 1920) destacam seu verdadeiro amor pelo
esporte e a atividade física, que o Santo Pontífice praticou desde
sua juventude.
Quando Wojtyla foi eleito Papa em 1978, aos 58 anos, a imagem que
apresentou ao mundo foi a de um esportista amante do montanhismo, da
natação e do futebol.
Segundo contou seu amigo e médico Jerzy Kluger, que o visitava de
vez em quando ao Vaticano, Wojtyla jogava futebol, era um bom
goleiro e inclusive chegava a treinar em sua casa com seu pai Karol,
alfaiate e oficial reformado do exército.
O próprio pároco da Igreja que freqüentava Wojtyla afirmava que
era uma menino alegre "que costumava ser visto jogando futebol na
rua".
Contam que Wojtyla costumava organizar as "peladas", em que
freqüentemente se enfrentavam católicos contra judeus. "Mas se os
judeus, como freqüentemente sucedia, estavam em inferioridade
numérica, ele (Karol Wojtyla) mudava de equipe", lembra Kluger, que
é judeu.
Naquelas "peladas", o jovem Wojtyla começou a descobrir uma
autêntica paixão pelo esporte e seus valores como fonte de saúde, de
força mental e de solidariedade, atributos que tanto o ajudariam
depois para enfrentar o atentado que pôs em perigo sua vida.
Conforme amadurecia, o jovem polonês ia praticando outros
esportes, sem esquecer em momento algum sua paixão pelo futebol.
Hóquei sobre gelo, esqui, canoagem, ciclismo, natação e
montanhismo foram algumas de suas atividades preferidas.
Só depois de sua entrada no seminário e sua posterior ordenação
como padre, aos 26 anos, Wojtyla encontrou cada vez mais dificuldade
para praticar diariamente esporte. Sua agenda ficou ainda mais
atribulado quando foi nomeado bispo de Ombi e arcebispo auxiliar da
Arquidiocese da Cracóvia, em 1958.
No entanto, João Paulo II, já como Bispo de Roma, sempre
encontrou um espaço em sua apertada agenda apostólica para praticar
alguma atividade esportiva.
Ainda se lembra quando esquiou em 1984 na montanha italiana do
Ademello junto com o também falecido presidente Sandro Pertini, e de
seus longos passeios, de horas e horas, pelas montanhas alpinas do
Vale do Aosta e do Cadore.
Para que pudesse praticar natação foi construída uma piscina na
residência de verão de Castel Gandolfo, onde nadava várias vezes ao
dia, segundo contaram seus colaboradores mais diretos.
João Paulo II foi o primeiro Papa fotografado com roupa
esportiva, sem a habitual túnica branca. Também foi o primeiro pontífice da história contemporânea que foi
a um campo de futebol para presenciar uma partida completa, que foi
disputada no estádio Olímpico de Roma em 29 de outubro do ano 2000 e
diante de 70 mil pessoas.
Naquele jogo, em que o Papa foi recebido no estádio com uma
"ola", jogaram duas equipes com atletas de todo o mundo, entre os
quais estavam católicos, anglicanos, protestantes, muçulmanos,
evangelistas, ortodoxos, budistas e, inclusive, um ateu.
A expressão do futebol como fonte de entendimento e paz ganhou
uma grande dimensão graças ao Papa, que buscava a eliminação das
diferenças raciais, políticas, ideológicas e religiosas.
João Paulo II sempre se empenhou para que esta mensagem fosse
transmitida em todos os grandes eventos esportivos, desde Jogos
Olímpicos a Copas do Mundo, e insistia sempre nisso diante da
inumerável relação de esportistas que desde o início de seu
pontificado o visitaram na sede vaticana.

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