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27/07/2005 - 15h35
Visanet e teles de Dantas fizeram 2/3 de depósitos à DNA no BB
Ricardo Amaral e Natuza Nery
Nos últimos cinco anos, 27 empresas depositaram R$ 159 milhões em uma conta da DNA Propaganda, de Marcos Valério, no Branco do Brasil. O principal depositante individual é a Visanet, com aportes que alcançam R$ 44,217 milhões. A Telemig Celular e a Amazônia Celular, controladas pelo Opportunity, de Daniel Dantas, fizeram nove depósitos que somam R$ 61,3 milhões. Empresas como a Fiat e a Eletronorte também aparecem nos dados levantados pela CPI dos Correios.
 | | | Daniel Dantas, do grupo Opportunity | REUTERS (Em Brasília) - Três empresas de telefonia ligadas ao Opportunity, de Daniel Dantas, e o consórcio controlador dos cartões Visanet foram identificados pela CPI dos Correios como origem de mais de dois terços dos depósitos de terceiros recebidos no Banco do Brasil pela DNA Propaganda Ltda.
A DNA é uma das empresas com participação acionária de Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do suposto pagamento de propinas a políticos conhecido como "mensalão".
Um levantamento feito pela CPI foi entregue à Reuters na noite de terça-feira por um parlamentar, com o compromisso de não ser identificado. O documento mostra que a conta 601.999 da DNA Propaganda na agência 3608 do Banco do Brasil (BB) recebeu no período analisado (últimos cinco anos) R$ 230 milhões em depósitos.
A própria DNA abasteceu a conta com depósitos e transferências que somam R$ 71 milhões. Os demais R$ 159 milhões resultam de depósitos de 27 empresas, na maioria identificadas como clientes ou empresas de comunicação, e de órgãos do governo de Minas Gerais.
| MAIORES DEPÓSITOS EM CONTA DA DNA PROPAGANDA NO BANCO DO BRASIL | | Empresa | Valor em R$ milhões | | Telefônicas do Opportunity* | 62,123 | | Visanet | 44,217 | | Eletronorte | 16,5 | | Servinet | 6,4 | | Fiat Automóveis | 4,6 | | TV Globo | 3,6 | | Governo de Minas Gerais | 2,7 | | *Telemig Celular, Amazônia Celular e Brasil Telecom | O maior depósito individual de uma empresa para a DNA, no valor de R$ 44,217 milhões, tem como origem a Companhia Brasileira de Meios de Pagamento, segundo o relatório da CPI.
Trata-se de uma associação criada em 1995 pela Visa Internacional, Banco do Brasil, Bradesco e Banco Real, responsável pelos cartões de pagamento eletrônico Visanet.
A assessoria de imprensa da DNA informou que a agência detém, desde 1994, a conta publicitária dos cartões de crédito do Banco do Brasil, que operam pelo sistema Visanet.
Outra operadora de cartões, a Servinet, depositou R$ 6,4 milhões. A Redecard fez dois depósitos que somam R$ 144 mil.
A Telemig Celular e a Amazônia Celular, controladas pelo Opportunity, fizeram nove depósitos que somam R$ 61,3 milhões. Outra controlada do Opportunity, a Brasil Telecom, fez um depósito de R$ 823 mil.
A estatal Eletronorte fez três depósitos que somam R$ 16,5 milhões. O governo de Minas Gerais fez depósitos na conta da DNA por meio de sua conta única, da Secretaria de Fazenda e da Secretaria de Saúde, no valor de R$ 2,7 milhões.
Prestação de serviços A assessoria de imprensa da DNA disse à Reuters que os depósitos correspondem ao pagamento pela prestação de serviços a essas empresas, incluindo criação, produção e veiculação de publicidade. Segundo a assessoria, a DNA tem condições de provar a execução de todos os serviços.
O levantamento da CPI também inclui três depósitos da Fiat Automóveis, totalizando R$ 4,6 milhões. A assessoria da DNA informou que a agência fez trabalhos de publicidade para a Fiat até abril deste ano.
Dois depósitos da Construtora Norberto Odebrecht totalizam R$ 149 mil e também referem-se a prestação de serviços de publicidade, segundo a assessoria da agência DNA.
| Quem é Daniel Dantas |  Formado em engenharia e economia, o banqueiro baiano Daniel Dantas, 50, dono do grupo Opportunity, é um dos homens mais ricos do Brasil. Seu império foi construído em cima de fundos de pensão públicos e de sócios estrangeiros. Em 1998, Dantas esteve no centro das investigações sobre suspeitas de favorecimento na privatização de empresas do Sistema Telebrás. No ano passado, a Brasil Telecom -controlada até então por ele- foi acusada de contratar a Kroll para espionar a Telecom Italia. As investigações teriam extrapolado o mundo empresarial, atingindo figuras do governo federal. Leia mais | O Sistema Pitágoras de Ensino depositou R$ 186 mil. A família do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, é acionista da empresa, que também é cliente da DNA Propaganda.
Empresas de comunicação O relatório da CPI identificou dois depósitos da TV Globo, somando R$ 3,6 milhões, e dois da Globosat, que somam R$ 180 mil. A assessoria da DNA disse que nos dois casos os depósitos correspondem ao pagamento de comissões e bônus pela veiculação de publicidade em emissoras de televisão aberta e a cabo.
A Editora Abril é identificada como responsável por um depósito de R$ 303 mil reais.
O relatório da CPI demonstra que a DNA também fez transações bancárias com as empresas de comunicação Folha da Manhã (Folha de S. Paulo), Ogilvy Brasil, Grupo Três (IstoÉ), For Comunicação, Símbolo Editora e Editora JB (Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil).
O relatório informa que a DNA autorizou transferências eletrônicas (TEDs) para a Folha da Manhã, Editora JB e Grupo Três que, por algum tipo de erro, foram devolvidas à conta da agência e contabilizadas como depósitos. A assessoria da DNA informou que compra regularmente espaço publicitário dessas empresas para seus diversos clientes |  |
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