Por Áureo Germano e Natuza Nery
BRASÍLIA (Reuters) - O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes da Silveira, confirmaram que receberam dinheiro do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e que este condicionou o pagamento de novos valores mediante abertura de uma conta no exterior, pedido que foi atendido pelos publicitários.
As declarações foram feitas na quarta-feira na Polícia Federal de Salvador (BA) e confirmadas em depoimento na CPI dos Correios, que teve início nesta tarde. As declarações dadas à PF foram obtidas pela Reuters junto a um integrante da oposição na CPI.
Até o início desta semana, Duda negava ter recebido dinheiro de Valério. Duda se apresentou à CPI espontaneamente, já que apenas o depoimento de Zilmar estava previsto.
Ele disse à CPI que prefere assumir a culpa pelas irregularidades cometidas e "voltar para casa com a consciência tranquila para poder beijar meus filhos".
Os repasses acertados por Valério foram efetuados a pedido de Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, e destinavam-se ao pagamento de serviços prestados por Duda Mendonça para campanhas eleitorais da legenda em 2002, entre elas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, além de serviços prestados em 2003, segundo o texto da PF.
EXIGÊNCIA
Marcos Valério condicionou o restante do pagamento à abertura de uma conta bancária no exterior sob o argumento de que não poderia efetuá-lo por meio de instituições financeiras brasileiras.
Após falar com Duda, decidiram abrir uma conta nas Bahamas, "possivelmente" por uma offshore chamada Dusseldorf, constituída exclusivamente com o fim de receber o pagamento da dívida do PT. Em favor dessa empresa, detalhou Zilmar, foram pagos, em parcelas, 10,5 milhões de reais na conta das Bahamas.
Na ocasião, a dívida do PT com Duda somava aproximadamente 18 milhões de reais.
LISTA DO VALÉRIO
Na relação entregue por Valério à CPI dos Correios, os repasses a Zilmar totalizam 15,5 milhões de reais em 2003.
A primeira data coincide com trecho do depoimento de Zilmar em que ela afirma ter recebido, no mesmo dia, recursos do PT referentes à amortização da dívida.
Foi nessa mesma época que Delúbio Soares determinou à sócia de Duda Mendonça que entrasse em contato com Valério para receber pagamentos, ocasião em que ela retirou valores em uma agência do Banco Rural em São Paulo. Depois disso, os pagamentos começaram a ser liquidados nas Bahamas.
Em depoimentos anteriores, inclusive nesta semana à CPI dos Correios, Marcos Valério garantiu aos parlamentares que os pagamentos foram feitos por meio de intermediários, entre eles o policial civil de Minas Gerais David Rodrigues Alves. A versão foi negada ao inquérito da PF. David também negou à CPI, na semana passada, conhecer a empresária.
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