BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu nesta quinta-feira a apuração urgente das informações fornecidas pelo publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios sobre o pagamento de campanhas de PT em 2002.
"(O depoimento de Duda) revela episódios incompatíveis com a legislação brasileira, que remetem a um pântano de evasão de divisas, sonegação fiscal, que precisa ser rápida e profundamente esclarecido", disse Renan em entrevista coletiva no Congresso.
"Temos um corpo estendido no chão", disse Renan referindo-se "aos métodos e práticas eleitorais revelados nesse grave depoimento".
Duda disse à CPI que, por orientação do empresário Marcos Valério de Souza --acusado de ser operador do suposto esquema do "mensalão"-- recebeu o equivalente a cerca de 10 milhões de reais em contas no exterior para o pagamento de contas do PT do ano de 2002, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito.
Em depoimento à CPI do Mensalão, Valério negou a versão e atribuiu as remessas à sócia de Duda, Zilmar Fernandes Pimentel.
Renan não quis avaliar se as novas revelações poderiam levar a crise até o impeachment do presidente Lula, como sugeriram alguns parlamentares da oposição, do presidente.
"Duda não fez nenhuma acusação ao presidente, mas insisto que os fatos devem ser investigados", disse Renan.
Segundo ele, deve ser feito um esforço urgente pela Câmara e pelo Senado para aprovar novas regras de campanha eleitoral.
"Se os vícios revelados permanecerem, haverá risco para a legitimidade das instituições, para a representatividade dos mandatos e para a própria democracia", afirmou o senador.
Renan disse também que o governo "precisa deixar de ser passivo". Para ele, episódios como a votação do salário mínimo de 384,29 reais pelo Senado na quarta-feira demonstram que "a insolvência política do governo começa a afetar a economia".
(Por Ricardo Amaral)