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12/08/2005 - 08h41
Para Chávez, Lula é vítima de ataque da direita brasileira

Por Guido Nejamkis

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, saiu na sexta-feira em defesa de seu colega Luiz Inácio Lula da Silva e disse que a atual crise política é resultado de um ataque orquestrado pela direita.

"De maneira geral, é um ataque contra o presidente do Brasil", disse Chávez a jornalistas na madrugada de sexta. "Sinto que há um empenho da classe política, digamos, tradicional, da direita brasileira especificamente", afirmou o presidente, depois de ressaltar que deveria tratar com todo cuidado as "situações internas".

Após um jantar com Lula em Brasília, no qual os dois discutiram principalmente assuntos de integração energética, Chávez disse que o ataque ao presidente brasileiro "deve vir de algum centro de planejamento". "Na melhor das hipóteses aqui de dentro do Brasil, ou cuidado se não é de fora do Brasil."

O venezuelano, aliado incondicional do presidente cubano, Fidel Castro, comparou também o momento vivido por Lula às disputas que ele mesmo mantém em seu país com a oposição, que chegou a derrubá-lo durante dois dias em abril de 2002.

"De algum ponto de vista, podemos fazer alguma comparação com as coisas que ocorreram na Venezuela", disse o presidente do quinto maior exportador mundial de petróleo do mundo.

Chávez afirmou ter comentando apenas "superficialmente" com Lula sobre a crise política, que já derrubou vários nomes do PT.

"Vendo de fora, e generalizando o problema, eu comentava com Lula e com outros presidentes e amigos que eu já achava ter passado bastante tempo sem que ficasse evidente um ataque cerrado contra o presidente Lula", afirmou Chávez.

"Estou absolutamente seguro de que Lula é um homem honesto. Um tremendo companheiro."

"Estou seguro de que o Brasil, Lula e o seu governo têm a força, a vontade, a coragem, a disposição e a capacidade de superar este e qualquer outro problema. Tenho muita fé em Lula", acrescentou.

Um tanto afônico após vários discursos em Montevidéu e Buenos Aires, por onde passou na quarta e na quinta-feira, Chávez deu a gravata italiana que usava a um dos jornalistas que o esperavam em um hotel de Brasília.

Elogiou o peixe que comeu na Granja do Torto e afirmou ter encontrado Lula "muito tranquilo, forte, duro e com muito ânimo".

Disse ter discutido com ele detalhes do projeto para construir uma nova refinaria de petróleo em Pernambuco, projeto que envolve as estatais Petrobras e PDVSA. A refinaria processaria petróleo extra-pesado venezuelano da bacia do Orinoco.

Chávez afirmou ter conversado também sobre a obra de gasodutos para levar gás da Venezuela a outros países sul-americanos e a possível encomenda a estaleiros brasileiros de 10 navios petroleiros para a PDVSA.

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