UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA

Selo
Selo
ARQUIVOS

 

29/09/2005 - 15h28
Queda do dólar pode comprometer exportações brasileiras

Por Jaime Ortega Carrascal São Paulo, 29 set (EFE).- A forte valorização do real frente ao dólar neste ano devolveu a moeda americana aos níveis de 2001 no Brasil e pode comprometer o desempenho das exportações do país, assinalaram hoje especialistas financeiros.

O dólar, que neste ano acumula uma queda de 15,1% com relação ao real e nos últimos 12 meses caiu 25,2 % não tem perspectivas de recuperação a curto prazo.

"Até onde pode cair o dólar é a pergunta do milhão, porque nem o próprio Banco Central, que se reserva o direito de intervir no mercado quando considerar conveniente, sabe qual seria a cotação ideal", disse à EFE o economista Jason Vieira, da consultoria financeira GRC Visão.

Vieira explicou que fatores como os altos juros do Brasil, que contrastam com baixos juros no mercado externo, a forte liquidez internacional, os recordes da balança comercial e as abundantes captações de empresas brasileiras no exterior, estimulam a queda do dólar.

Nos últimos meses o dólar bateu todos os pisos calculados pelo mercado e alguns especialistas previram que a moeda americana, que em outubro de 2002, às vésperas das eleições presidenciais, chegou a tocar R$ 4, caindo para R$ 2 em questão de semanas.

"O dólar tecnicamente tinha um piso em R$ 2,27, que foi quebrado, e agora está em R$ 2,22, se chegar aos R$ 2,20, não haverá quem garanta e poderia cair até os R$ 2", disse Vieira.

Essa possibilidade assusta os exportadores, que desde o ano passado se queixam dos efeitos negativos que um real muito alto pode provocar no comércio exterior do país, pois em teoria, quanto mais cara seja a moeda nacional, menos competitivos serão os produtos brasileiros.

Apesar das constantes quedas do dólar, as exportações brasileiras continuam de vento em popa e a balança comercial do país, que no ano passado teve um superávit recorde de US$ 33,696 bilhões, somou US$ 28,348 bilhões só nos oito primeiros meses deste ano.

A previsão do Banco Central é de que a balança comercial de 2005 tenha um superávit recorde de US$ 38 bilhões.

Alguns especialistas advertem, no entanto, que as exportações brasileiras foram favorecidas por uma conjuntura internacional vantajosa, como a pouca demanda de matérias-primas, das quais Brasil é grande exportador, o que "mascara" os efeitos do real valorizado.

"Não fiquemos iludidos com esse falso desempenho exportador, pois o dia da verdade cambial sempre chega e seu custo pode ser alto se não estivermos preparados para esta nova realidade", disse o titular do Departamento de Relações Exteriores e Comércio Exterior da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo, Roberto Giannetti da Fonseca, em um estudo publicado recentemente pela Associação Brasileira de Comércio Exterior.

O estudo lembra que alguns setores produtivos mais sensíveis à revalorização do real, como o de calçados e o têxtil, que têm a concorrência direta da Argentina e da China, entre outros países, já sentem uma queda nas vendas externas, o que ocasionou a demissão de trabalhadores e a quebra de algumas empresas menores, com pouco capital de giro.

"Ironicamente, os setores mais vulneráveis a esta situação são aqueles que tem mais mão-de-obra e de alto conteúdo de matérias-primas nacionais", disse Giannetti da Fonseca, que também foi secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior.

Para os analistas financeiros, o único que neste momento pode frear a queda do dólar é a intervenção do Banco Central, que desde março passado não intervém no mercado cambial.

"Consideramos pouco provável que o Banco Central vá intervir no mercado porque o saldo comercial, que seria o principal motivo para isso, continua com ótimos resultados", disse o economista de GRC Visão.

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
LDU faz 2 a 1 no Fluminense; acompanhe placar da Sul-Americana
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Confira a resolução comentada
da primeira fase da Fuvest 2010

UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA