SÃO PAULO (Reuters) - O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu neste sábado pela expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Foram 37 votos pela expulsão, 16 votos por uma suspensão de três anos e três abstenções.
Delúbio é responsável confesso pela movimentação do caixa dois que beneficiou o partido e aliados entre 2003 e 2005 e um dos pivôs da crise que atinge há quase cinco meses o governo e o PT. Ele é o primeiro petista afastado do partido por conta da crise.
Segundo relato do deputado João Paulo Cunha (SP), Delúbio Soares chorou enquanto leu a sua defesa, apresentada em cerca de 20 minutos.
O senador Aloizio Mercadante (SP), que declarou a jornalistas ter votado pela expulsão de Delúbio, descreveu o ambiente da sessão como doloroso.
"O partido tomou uma decisão que é inevitável, uma decisão dolorosa, porque é um militante que dedicou 25 anos de sua vida ao partido", afirmou.
"Acho que foi sempre achando que estava fazendo o melhor para o partido, mas foram erros muito graves que foram cometidos, o que prejudicou profundamente a imagem e a história do nosso partido."
Antes de Delúbio apresentar sua defesa, o deputado José Dirceu (SP) pediu a ele que se desfiliasse do partido, de acordo com uma fonte ouvida pela Reuters. Delúbio recusou a idéia, dizendo que não conseguiria assinar um termo para deixar o PT --ao qual se filiou quando tinha apenas 18 anos.
O ex-tesoureiro apresentou a defesa depois da leitura do relatório da comissão de ética do partido, que pedia sua saída. Como havia adiantado, disse que de sua boca não sairia nada que pudesse vir a comprometer companheiros do partido que tenham recebido recursos do caixa dois.
Delúbio não quis acompanhar os votos e deixou a sessão após ler a defesa. Ao sair da sede do PT, não falou com a imprensa.
Estavam presentes ao encontro alguns petistas que também tiveram seus nomes envolvidos no recebimento de recursos de caixa dois manejado por Delúbio com a ajuda do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O empresário é apontado também como um dos operadores do suposto esquema do mensalão.
Entre esses petistas estavam os deputados professor Luizinho (SP) e Paulo Rocha (PA) --que renunciou ao cargo-- e João Paulo.
Dirceu, que é apontado como mentor do suposto esquema do mensalão, também participou da votação.
Segundo o novo presidente do partido, Ricardo Berzoini, a comissão de sindicância que apura a situação dos petistas envolvidos no esquema de caixa dois terá um prazo para apresentar sua avaliação. Esse prazo ainda será definido.
(Por Marcos de Moura e Souza)