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23/11/2005 - 20h35
Copom corta taxa de juros em meio ponto, para 18,5%

Brasília, 23 nov (EFE).- O Banco Central cortou hoje em meio ponto as taxas básicas de juros, que agora se situam em 18,5% anuais, conforme já esperava o mercado financeiro.

A redução da Selic (referência do mercado) foi a terceira adotada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) desde setembro, quando a autoridade monetária começou a reduzir a taxa ao considerar que a inflação está se ajustando às metas fixadas pelo Governo.

"Dando continuidade ao processo de flexibilização da política monetária iniciado na reunião de setembro, o Comitê de Política Monetária decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 18,5% anuais, sem tendência", destacou um breve comunicado do Banco Central.

Em setembro do ano passado, o Banco Central havia iniciado um aperto monetário que se prolongou até maio de 2005, sendo que as taxas de juros permaneceram estáveis em 19,75% anuais durante os três meses seguintes.

O Governo espera fechar este ano com uma inflação de 5,1% , e nos primeiros dez meses do ano os preços subiram 4,73%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência oficial.

A decisão da autoridade monetária era esperada pelos mercados, de modo que a bolsa de São Paulo subiu hoje 1,44 % e alcançou um novo recorde histórico, de 31.942 pontos, com a perspectiva de uma redução das taxas.

O corte na Selic foi recebida, no entanto, com certa decepção por empresários e sindicalistas, que esperavam uma redução mais contundente para que o nível dos juros, ainda considerado alto, não prejudique o crescimento da economia brasileira, que este ano deve ser de 3,5%, segundo a projeção oficial.

O presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, qualificou como pífia a decisão tomada hoje pelo Banco Central e disse em comunicado que a entidade esperava "um sinal clara de alteração da velocidade de queda dos juros".

Os empresários estão descontentes porque a produção industrial caiu 2% em setembro em comparação com agosto, o que consideram como um sinal de desaceleração da economia causada pelos juros elevados.

Para o presidente da central operária Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, a redução dos juros também foi pequena diante da realidade da economia nacional.

Segundo Pereira da Silva, os altos juros continuam sufocando o setor produtivo, prejudicam o crescimento econômico e a criação de novos postos de trabalho.

"Continuamos com as taxas de juros (reais) mais altas do mundo, e os responsáveis por isso alegam que essa é uma maneira de controlar a inflação", protestou.

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