Por Cristina Zahar
SÃO PAULO (Reuters) - "Você é tudo para mim." Essa foi a frase que o cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, não parou de repetir a noite toda para a herdeira Athina Onassis, depois que os dois juraram eterno amor no sábado, em São Paulo, em uma festa para 1.300 convidados considerada correta mas sem a ostentação que casamentos do mesmo quilate costumam apresentar.
Cercado de sigilo desde sua divulgação, o enlace contou com um superesquema de segurança para driblar o assédio da imprensa. Mas, apesar de todos os cuidados, algumas informações vazaram e acabaram sendo divulgadas nas semanas que antecederam a festa.
No sábado, proibidos de entrar, dezenas de jornalistas se acotovelavam diante do portão de entrada da Fundação Maria Luiza e Oscar Americano, no Morumbi, onde ocorreu a festa. "Eram tantos que meu marido ficou com medo de atropelar alguém", disse uma convidada.
Os mais ousados pulavam o muro com câmeras fotográficas em punho, em busca de uma imagem fugaz. Porém, eram rapidamente rechaçados pelos seguranças. Segundo eles, um jornalista estrangeiro foi expulso e levado a uma delegacia, depois de ter sido flagrado com um buton que trazia embutida uma microcâmera.
Enquanto essas cenas de desespero aconteciam do lado de fora, dentro reinava a calma. Logo que desciam na portaria da fundação, os convidados eram recebidos por rapazes jovens e bonitos, vestidos de terno. Apesar da segurança ostensiva -- cerca de 250 homens trabalharam no casamento --, bastou apresentar o convite magnético para entrar.
Como celulares com câmeras estavam proibidos, as mulheres tiveram de passar a bolsa pelo detector de metais, que, de acordo com a organização, não estava funcionando direito. Houve até mesmo quem entrasse sem se submeter ao detector. Mas fora o incidente com o jornalista estrangeiro não houve registro de convidados tentando tirar fotos escondido.
Da entrada, as pessoas eram conduzidas em modelos A6 e A8 da Audi, de várias cores, até o local da festa, nos jardins da propriedade. Eram novamente recebidos por jovens de terno antes de entrar no salão onde seria realizada a cerimônia.
Pouco antes da celebração, um acidente assustou os convidados. Uma treliça verde de 3 metros de comprimento por 1 metro de largura, que encobria o teto do corredor de acesso ao salão superior e que sustentava uma dezena de vasos, despencou sobre uma moça que fazia a segurança. Apesar do susto, ela não sofreu ferimentos graves.
LÁGRIMAS NO RELIGIOSO
No salão, o branco deu o tom da decoração e esteve presente no piso, nas paredes e nas cadeiras, que traziam nas costas buquês de folhagens. Uma delicada pintura de heras foi aplicada na passarela central e nas colunas. Do teto com pé-direito duplo pendiam pequenos anjos e copos com velas. Hortênsias brancas arrematavam a decoração.
Com uma hora de atraso e ao som de uma orquestra com 40 músicos, Doda entrou acompanhado pela mãe, Elizabeth, elegante em um longo prata degradê. O noivo vestia um terno risca-de-giz do estilista Ricardo Almeida e gravata cinza.
Em seguida, entraram os 28 padrinhos, entre eles o cônsul honorário da Grécia no Recife, Constantinos Kotronakis, e a mulher, Ekaterina, o cavaleiro campeão olímpico Rodrigo Pessoa e Thomaz Montello, secretário geral da Confederação Brasileira de Hipismo e veterinário da equipe olímpica.
Depois foi a vez do pajem e das damas de honra. O grupo era formado por Ricardo e Beatriz, filhos do segundo casamento do pai de Doda, por Viviane, filha de Doda com Sibele Dorsa, e por uma terceira menina. A surpresa ficou por conta de uma das irmãs de Athina, filha do segundo casamento de seu pai, Thierry Roussel, que levou as alianças.
Da família da noiva, estavam presentes seus três irmãos, Eric, Sandrine Johanna e Hélène Francine Roussel. O pai e a madrasta, Gaby, não compareceram.
De braço dado com o sogro, Ricardo Miranda, Athina entrou ao som da marcha nupcial. Estava linda e magra, em um tomara-que-caia pérola com cauda longa e bordados sobre renda nas laterais, feito pelo estilista italiano Valentino --o mesmo que confeccionou o vestido que Jacqueline Kennedy usou em seu casamento com o avô de Athina, o armador grego Aristóteles Onassis, em 1968.
Os cabelos, presos no alto e soltos atrás, levavam a assinatura do salão MG Hair Design, cuja equipe deu os últimos retoques na noiva na própria fundação. Uma mantilha longa finalizava o penteado. Como mede 1,80 m de altura, Athina optou por um sapato chanel de salto baixo.
A cerimônia religiosa durou 1 hora. Segundo um dos padres, foi uma missa católica que misturou os ritos oriental e em latim. No altar, havia um crucifixo branco de 2 metros de altura e uma imagem de Nossa Senhora pintada de branco. Débora D'Oliveira, que interpreta Carlota no musical "O Fantasma da Ópera," cantou "Mio Babino Caro," de Puccini, e "Ave Maria," de Gounoud.
Com a emoção à flor da pele, Doda não segurou as lágrimas. "O que mais me marcou foi a singeleza e o amor entre os noivos", contou uma convidada. Ao final da missa, o casal saiu junto com Viviane, ao som da Nona Sinfonia, de Beethoven, e recebeu uma ovação.
Entre os convidados, poucos famosos, como a empresária Yara Baumgart, o arquiteto João Armentano, os empresários Viviane e Leonardo Senna e a atriz Nair Belo --que tinha um quadro com o falecido Rogério Cardoso no programa "Zorra Total", da Globo, que Athina adora.
Depois que os convidados se dirigiram ao salão superior, os noivos voltaram para o casamento civil, acompanhado apenas dos padrinhos. Realizada a portas fechadas, a cerimônia ocorreu ao som de um helicóptero da segurança, encarregado de impedir fotos aéreas da festa.
Terminado o civil, os noivos descansaram um pouco no camarim anexo ao salão, antes de subir para a festa. Deram a volta por fora e entraram pela saída, indo direto para a sala dos doces, onde cortaram o bolo e fizeram um brinde. De lá, o casal seguiu para a pista, onde dançou uma música lenta.
DECORAÇÃO CAMPESTRE
O tema campestre que marcou a cerimônia religiosa esteve presente também na decoração da festa. Treze lustres brancos, estilo chandelier, com cúpulas forradas de hortênsias, faziam a iluminação. Mesas quadradas, redondas e ovais de vários tamanhos traziam toalhas longas estampadas com hortênsias cor-de-rosa ou eram encapadas com o mesmo tecido, deixando o pé à mostra.
Para acompanhar, cadeiras de vime caramelo com almofadas de hortênsia e patinadas de madeira, tipo Tiffany's, com almofadas lisas ou estampadas. Os arranjos de mesa eram de hortênsias em flor ou em botão. O ar-condicionado forte apagou alguns castiçais e obrigou as mulheres a recorrer a seus xales e echarpes.
O jantar servido pelo Buffet França em louça branca com filetes prateados e sous-plâts e talheres de prata foi impecável. O serviço, à francesa, teve como entradas gaspacho --sopa fria de tomate espanhola--, carpaccio, salmão e folhado de pistache. Como primeiro prato, foi servido camarão em fundo de alcachofra com palmito pupunha e, como segundo prato, vitela sobre risoto de açafrão acompanhado de marrom glacê.
A sobremesa era feita de churros com calda de gianduia, suflê de chocolate quente, sorvete de zabaione e telha de amêndoa.
"Esses churros são a parte mais gostosa da sobremesa", disse Athina, em português, para uma convidada a seu lado. Um cardápio simples, se comparado aos dos casamentos mais chiques da cidade.
Tudo regado a champanhe Veuve Clicquot e vinho tinto Chatêau Lamoth de Haux, de Bordeaux, safra 2002. Os bares espalhados pelo salão serviam uísque e caipirinha de frutas com vodca Ciroc, feita com uvas finas francesas, que custa 300 reais a garrafa e que pode chegar a 1.000 reais em restaurantes estrelados.
Apesar de ter lugares marcados, familiares e padrinhos que estavam nas duas mesas próximas à dos noivos descontraíram o ambiente ao puxar cadeiras para se sentar ao lado de Doda e Athina.
ANIMAÇÃO NA PISTA
O casal era pura felicidade. Ao fim do jantar, eles caíram na pista de dança, que ferveu ao som de artistas nacionais como J. Quest e Fernanda Abreu e do hit "Stay'in alive," dos Bee Gees.
Às 2h10, Athina subiu no palco e jogou o buquê. Pouco depois, o percussionista Paulo Campos se apresentou por 20 minutos. O momento mais emocionante para a noiva foi quando tocou "Por você", do Barão Vermelho, que ela dançou olho no olho com Doda.
Em uma pequena pausa para se recompor, Athina deixou a pista e foi para a mesa de doces. Levou um pote para sua mesa e lá ficou por meia hora, descansando e desfrutando as delícias feitas por Nininha Sigrist.
Muitos convidados, entre eles estrangeiros que falavam francês, inglês e grego usaram os porta-guardanapos que traziam camélias feitas com o mesmo tecido das toalhas como pulseira ou no bolso do terno.
A festa foi até quase 4 horas da manhã. Na saída, os convidados puderam desfrutar de café expresso e dos doces gelados feitos por uma doceira de Minas Gerais chamada Solange Lopes.
A lembrancinha do casamento vinha em uma caixinha branca com as iniciais AA -- de Álvaro e Athina -- que continha uma corrente de ouro branco com um coração de cristal de rocha feito por Bibiana Paranhos. Acompanhava um cartão prateado com os dizeres "Com muito carinho, agradecemos sua presença" em português e inglês.