Por Jon Herskovitz e Kim Yeon-hee
SEUL (Reuters) - O cientista mais famoso da Coréia do Sul abandonou seu cargo na sexta-feira e pode ser agora processado depois de investigadores terem dito que eram forjados os resultados de uma pesquisa histórica divulgada em 2005.
Um painel de especialistas da Universidade Nacional de Seul examinou o trabalho de Hwang Woo-suk, visto até há pouco como um herói na Coréia do Sul por ter levado o país à linha de frente das pesquisas com células-tronco e com clonagem.
A reputação de Hwang ficou arruinada na sexta-feira e muitos no país sentiam-se envergonhados.
O painel de nove membros disse em um comunicado que a falsificação dos resultados era um "grave erro de conduta que mina os fundamentos da ciência".
A investigação foi iniciada depois de alguns dos ex-colaboradores do cientista terem dito que as descobertas divulgadas por ele eram falsas.
"Com base nessas descobertas, podemos dizer que os dados de 2005 foram intencionalmente forjados e que não foram um erro acidental", afirmou Roe Jung-Hye, chefe do escritório de pesquisa da Universidade Nacional de Seul.
Roe disse ainda que não estava clara a dimensão do envolvimento do pesquisador na fraude. Hwang manifestou-se pouco depois, mas não ofereceu explicações.
"Vou renunciar ao meu cargo de professor na Universidade Nacional de Seul para me desculpar por ter provocado tantos choques e decepções", afirmou em declarações dadas na TV.
Segundo promotores de Justiça, o pesquisador deve ser interrogado quando o painel divulgar seu relatório final.
Conhecido nos círculos científicos por seu trabalho com células-tronco, Hwang também é famoso por ter criado o primeiro cachorro clonado do mundo, batizado de Snuppy.
"Esse é um acontecimento infeliz para a ciência e a Coréia. Sem confiança, não podemos imaginar a ciência", disse Laurie Zoloth, uma especialista em biotecnologia da Universidade Noroeste (EUA).
Roe disse que o painel investigará também a clonagem do cão e os estudos de 2004 sobre a clonagem pioneira de embriões humanos para pesquisa.
Os especialistas encontraram apenas duas linhagens de células-tronco no estudo publicado em maio de 2005 na revista Science, e não 11 como os autores diziam.
O painel, no entanto, não determinou se as descobertas apresentadas por Hwang eram válidas ou não -- ou seja, se a equipe dele produziu ou não células-tronco embrionárias a partir de material de pacientes adultos.
Serão realizados novos testes, entre os quais análises de DNA, para determinar se as descobertas contidas no artigo da revista são verdadeiras, afirmou Roe.