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29/01/2006 - 15h33
Lágrimas mostram que Roger Federer também é humano

Por Miguel Luengo Melbourne (Austrália), 29 jan (EFE).- As lágrimas que saíram dos olhos do suíço Roger Federer na Rod Laver Arena mostram que o número um do mundo ainda é humano, e que mesmo com sete títulos do Grand Slam ainda é capaz de se emocionar ao vencer um torneio deste porte.

Federer voltou a chorar como em 2003, quando subiu ao pódio em Wimbledon pela primeira vez. Naquela ocasião, ele lembrava emocionado seu ex-treinador Peter Carter, que morreu num acidente de automóvel em 1 de agosto de 2002. Três anos depois, ele repete o gesto e desta vez sem razão especial alguma, talvez pela emoção de receber o troféu de um das mãos de um de seus ídolos, o australiano Rod Laver, em Melbourne.

Em meio a estes três anos, o suíço chegou à marca de 35 títulos - sete no Grand Slam - e 104 semanas como número um do mundo, o terceiro maior reinado no posto desde a criação do ranking, em 1973.

Ele é batido apenas pelo americano Jimmy Connors (160 semanas) e o Ivan Lendl (157).

Suas quatro derrotas - para o russo Marat Safin em Melbourne, o francês Richard Gasquet em Monte Carlo, o espanhol Rafael Nadal em Roland Garros e o argentino David Nalbandian na Masters Cup de Shanghai, fazem parte de seus ferimentos de guerra.

Mas Federer começou 2006 com força ao vencer em Doha e Melbourne, além de ter sido considerado "Melhor Esportista Suíço" e "Suíço do Ano" de 2005. Aos 24 anos, ele mantém sua personalidade irredutível.

Tendo agora o australiano Tony Roche como treinador, Federer se mantém no nível que quer. "Vencer um Grand Slam por ano, mesmo que apenas um, é formidável", diz. Este é seu terceiro seguido, e se conseguir a façanha de vencer em Roland Garros, em maio, completaria o "Federer Slam", repetindo o feito da americana Serena Williams entre 2002 e 2003.

Ultimo jogador capaz de vencer em Wimbledon e na Austrália no ano seguinte após Pete Sampras, em 1994, a sombra de "Pistol Pete" sempre aparecerá, não só pela enorme semelhança no jogo entre ambos.

O americano John McEnroe, outro grande talento do tênis, considera o suíço "o maior talento da história", mas porque ele mesmo se empenha em se aproximar ao máximo da frieza mostrada pelo californiano.

Federer já avisou de seu tremendo potencial em 2001, quando derrotou Pete Sampras nas oitavas-de-final de Wimbledon e quebrou uma seqüência de 31 vitórias do americano na grama inglesa. Duas temporadas depois ele levantaria o troféu na quadra central, tornando-se o primeiro suíço a vencer um torneio do Grand Slam.

Foi ali que o suíço tomou a decisão de se separar da poderosa organização IMG para criar sua própria empresa de divulgação, formada integralmente por seus familiares e amigos mais próximos, para que tudo ficasse em casa.

Seus pais, Lynette (sul-africana) e Robert, formam a diretoria.

Pierre Paganini é responsável pela parte técnica, e sua namorada Mirka trabalha no escritório e se encarrega da coordenação com a imprensa.

Como sempre, o suíço aparece usando um colar de madeira comprado durante um período de férias na África do Sul para visitar o país de sua mãe, que tem um significado especial para ele. Federer assegura que o adereço o protege dos ataques dos tubarões.

Federer cresceu com a imagem de três grandes campeões no All England Tennis Club, Sampras, o alemão Boris Becker e o sueco Stefan Edberg, em sua memória. Ele pegou em sua primeira raquete aos três anos, mas o futebol e o hóquei no gelo (chegou inclusive a se destacar numa seleção menor de seu país) deixaram-no indeciso até praticamente os 14 anos, quando se encantou definitivamente pelo tênis.

Seus primeiros passos foram dados na Federação de Tênis da Suíça, onde passou por muitos problemas no início. No entanto, logo depois ele começou a vencer torneios juvenis, muito em parte devido à sua grande potência com seu saque, além de um habilidoso voleio.

Seu compatriota Marc Rosset, ouro olímpico em Barcelona, disse que Federer seria um digno sucessor seu. Em 1998, ele demonstrou isso ao vencer a chave juvenil de Wimbledon em simples e duplas, também chegando à final do US Open nesta categoria e às semifinais do Aberto da Austrália.

Federer encerrou sua carreira como juvenil com o título do Orange Bowl, ao derrotar o argentino Guillermo Coria na final. Logicamente, ele terminou aquele ano como melhor do mundo, posto no qual se acostumaria a estar.

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