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02/02/2006 - 17h01 Parlamentares defendem apuração sobre lista de Furnas
Carmen Munari
BRASÍLIA/SÃO PAULO - Deputados e senadores defenderam apuração sobre a suposta lista com nomes de integrantes da base aliada do governo Fernando Henrique Cardoso que teriam recebido recursos por meio de um esquema montado pelo ex-diretor de Furnas Dimas Fabiano Toledo. O PSDB pensa em recorrer à Justiça. "Precisamos saber o que a PF diz sobre essa lista. Precisamos ver se ela tem equilíbrio, ver se tem procedência", disse nesta quinta-feira. A lista, divulgada na quarta-feira, traz o nome de 156 políticos, especialmente do PSDB e do PFL que teriam sido beneficiados pelo esquema em 2002. Eles teriam recebido dinheiro sem contabilização na Justiça, o chamado caixa dois. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) declarou que considera a investigação do documento inevitável, principalmente após as declarações do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) que atribuíram alguma credibilidade ao documento. "Temos de investigar para saber o que é verdadeiro", defendeu. "Acredito que há excessos." Jefferson consta da lista e admitiu à Polícia Federal ter recebido 75 mil reais de Dimas Toledo. "É uma verdadeira palhaçada", disse Serra, ao comparar a relação de Furnas com o dossiê Cayman --documentos divulgados em 1998 que envolviam tucanos e que a PF concluiu ser fraudulento. Serra classificou a lista ainda de "instrumento vagabundo e maldoso". Alckmin disse que estuda ir à Justiça. "Isso não tem a menor procedência. Falsificação grosseira. Isso tem que tratar na Justiça. Na polícia. Já determinei que se verifique qual a medida judicial que pode ser tomada." O senador José Jorge (PFL-PE) afirma que a lista é uma estratégia do governo para esconder as investigações sobre o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e sobre o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, acusados pela articulação do mensalão. "Tudo leva a crer que é uma lista fantasiosa. É difícil crer que saiu dinheiro para gente de oposição e não saiu para gente do PT", afirmou o senador. "Não vamos dar a importância (à lista) que o governo quer que tenha." A senadora Ideli Salvati (PT-SC) acredita que o documento deve ser objeto das discussões da CPI na próxima terça-feira. "A investigação deve ser feita com cuidado. Mas o caixa dois é uma questão que está colocada de forma inequívoca no Brasil há muito tempo", concluiu. Havia a expectativa de que esses requerimentos fossem apreciados na sessão desta quinta. Mas, segundo Delcidio, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI, que se encontra em viagem a Nova York, pediu-lhe para deixar a votação de requerimentos polêmicos para a próxima semana. "O Osmar (Serraglio) acha conveniente que se faça a votação a partir da análise dos documentos que eles deverão trazer da viagem", argumentou. Serraglio viajou acompanhado de outros dois integrantes da CPI para buscar junto à Justiça norte-americana documentos sigilosos sobre as movimentações financeiras de Duda no exterior. Leia mais
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