BRASÍLIA (Reuters) - A CPI dos Bingos vai ouvir até quinta-feira o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, reinstalando o escândalo do mensalão na agenda política. Em entrevista ao jornal "O Globo", Pereira diz que o empresário Marcos Valério teria planejado arrecadar 1 bilhão de reais em "interesses com o governo".
O conteúdo da entrevista, que será publicada no domingo, foi antecipado pelo jornal em sua página na Internet, neste sábado. O presidente da CPI dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-RN), disse que vai apenas marcar a data para ouvir Pereira, que está na lista de depoimentos pendentes.
"Como já havia um requerimento para ouvi-lo aprovado e as informações da entrevista são relevantes, vamos apenas marcar a data, que deve ser quarta ou no máximo quinta-feira", disse Efraim.
Segundo o jornal, Silvio Pereira afirmou que o ex-tesoureiro Delúbio Soares teria "perdido o controle" sobre as finanças do partido e Marcos Valério teria apresentado, ao final de 2003, "uma conta" de 120 milhões de reais.
Pereira acrescentou, segundo o jornal, que Marcos Valério teria estabelecido uma rede de contatos políticos, com petistas e não-petistas, para obter vantagens em "quatro áreas", envolvendo interesses de instituições financeiras e "passivos na agropecuária".
"Não tem essa história de propaganda, isso é bobagem. O plano era faturar 1 bilhão de reais. Eles iam ganhar 1 bilhão de reais", disse Pereira, segundo o jornal. "Mas não deu certo, o BC não acertou as coisas para ele."
"QUEM MANDA"
Segundo o jornal, o ex-secretário do PT "exime o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de responsabilidade no esquema", mas menciona o presidente da República entre as pessoas que tinham poder de decisão na estrutura partidária.
"Quem mandava? Quem mandava eram Lula, (José) Genoino, (Aloizio) Mercadante e Zé Dirceu. Eu não estava à altura desse time", disse Pereira, segundo "O Globo".
"Quando estourou (o escândalo) Marcos Valério disse três coisas: 'Olha, tenho três opções: entregar todo mundo e derrubar a República, ficar quieto e acabar como o PC Farias, ou o meio termo'. Foi isso", acrescentou Pereira na entrevista.
Marcos Valério, segundo sua assessoria, não vai se pronunciar sobre a entrevista. O Palácio do Planalto também não se pronunciou neste sábado.
Pereira foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza como um dos corruptores do mensalão.
Ele também foi acusado de corrupção passiva por ter aceito um utilitário Land Rover de presente de um fornecedor da estatal Petrobras.
O jornal informa que entrevistou Pereira por três horas na quarta-feira e mais cinco horas na quinta. Após a segunda entrevista, o ex-secretário do PT teria demonstrado contrariedade com a publicação e quebrado os móveis de seu próprio apartamento.
(Por Ricardo Amaral e Natuza Nery)
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