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16/05/2006 - 15h14
Delegado descarta acordo e sugere que polícia pode usar força

SÃO PAULO (Reuters) - O delegado-geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo, descartou nesta terça-feira atender a reivindicações de presos, procurando desqualificar, assim, a versão de que teria havido acordo entre autoridades e a facção criminosa PCC.

O delegado fez questão de mostrar uma posição de força em declarações e dados sobre criminosos mortos nas últimas 24 horas.

"A polícia foi para cima. Aqui não tem acordo. Começam a cutucar a onça com vara curta, vai ter encrenca", disse o delegado em entrevista. "Vocês conhecem o nosso pessoal, atuam dentro do princípio da legalidade, mas isso não quer dizer que em determinados momentos nós tenhamos que baixar a cabeça", prosseguiu.

"O dia que tiver que baixar a cabeça para bandido, eu rasgo as minhas duas carteiras: a vermelha de delegado e a preta de investigador", afirmou.

Segundo balanço da Secretaria de Segurança Pública do Estado, divulgado pelo delegado, o número de mortos na onda de violência liderada pelo crime organizado em São Paulo chegou a 115 desde sexta-feira, sendo 29 policiais.

O total de criminosos envolvidos nos ataques chegou a 71. Na segunda-feira eram 38 os criminosos suspeitos mortos. Houve 251 ataques, sendo 80 a ônibus e 15 a agências bancárias. O número total de feridos chegou a 53.

Desgualdo insistiu que não houve acordo com o PCC.

"Não serão atendidas reivindicações, portanto, não procede notícia de acordo", declarou. "Você tem que analisar o que é acordo. Mandar recado? Qual é o recado? Televisão à plasma? O plasma que eu conheço é do sangue", afirmou.

Os ataques contra alvos policiais e civis começaram na noite de sexta-feira, numa reação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) à transferência de líderes da organização para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km da capital), complexo de segurança máxima idealizado para abrigar os membros do PCC.

Entre os 765 detentos transferidos estava Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo.

(Por Marcos de Moura e Souza)


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