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18/05/2006 - 14h06
Marcola faz ameaças em suposta entrevista à TV; polícia investiga veracidade
Da Redação
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Reprodução da TV
Marcos Camacho, o Marcola, líder do PCC
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A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para apurar suposto delito de apologia ao crime ou criminoso possivelmente cometido por duas emissoras de televisão, que exibiram entrevistas com supostos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em nota, a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) afirma que as gravações divulgadas pelas redes Record e Bandeirantes são falsas. Essas reportagens continham depoimentos de pessoas que, segundo as emissoras, seriam Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, e Orlando Mota Júnior, o Macarrão.
"A secretaria repudia a forma criminosa e irresponsável que as emissoras de televisão Rede Record e Rede Bandeirantes colocaram no ar falsas gravações com líderes de facções criminosas e informa que tomará todas as medidas necessárias para responsabilizar, civil e criminalmente, os autores", diz a nota.
A Rede Record informou, por meio de assessoria, que vai se pronunciar depois de ser notificada. A diretoria da Rede Bandeirantes se reuniu na tarde desta quinta, segundo assessoria, para avaliar o caso.
Segundo informou a secretaria, o Ministério das Comunicações será informado sobre o procedimento das emissoras para que alguma providência seja tomada. Para o governo do Estado, a veiculação de reportagens com supostas conversas com integrantes de facções criminosas são "sensacionalistas" e alarmam a sociedade.
Marcola
A TV Bandeirantes levou ao ar, na madrugada desta quinta-feira, uma entrevista com um homem identificado como Marcola, principal líder do PCC.
O homem que se identificou como o criminoso (que está em uma prisão de segurança máxima em Presidente Bernardes, 589 km a oeste de São Paulo, e teoricamente incomunicável), falou pelo celular com o jornalista Roberto Cabrini. Sua imagem não apareceu.
Em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), negou a veracidade da entrevista. Ele disse que Marcola está "totalmente isolado". Ele também garantiu que as forças de segurança estão reagindo à onda de violência e que cada criminoso morto terá um inquérito policial. Sem acordo
Na entrevista, o suposto Marcola negou ter feito acordo com o governo estadual para cessar os ataques a alvos policiais e civis no Estado. "Se a gente fosse ouvido e atendido dentro da Constituição e dentro da lei, nada disso teria acontecido", disse.
Ele negou também que a organização tenha mandado assassinar policiais, atitude que atribuiu a "oportunistas". Mas insinuou que o PCC ainda não mostrou todo o seu poderio.
"A gente está preparado para muito mais, tem condições para muito mais", disse. O líder do PCC criticou ainda a atuação da polícia, que classificou de "brutal".
"A gente está procurando um meio de estar resolvendo a situação, mas eles (a polícia) não estão querendo, estão agindo de forma brutal, estão assassinando também", afirmou.
Segundo ele, quem mais tem a sofrer com isso é a população.
"Estão declarando uma guerra, esquecendo que estão deixando a sociedade à mercê (dessa guerra). Porque dentro de uma guerra onde as duas partes estão com poderio de fogo, acho que quem tem a perder são apenas as pessoas que não tem nada a ver com ambas as partes."
Com Folha Online e Reuters |  |
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