BRASÍLIA (Reuters) - Ao comentar o afastamento do presidente cubano, Fidel Castro, por razões de saúde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na terça-feira a total autonomia do povo cubano para conduzir um eventual processo de sucessão.
"O processo sucessório é uma decisão que vai caber ao povo cubano", disse Lula a jornalistas, ao chegar ao centro de convenções de Brasília, onde se realiza o 13o Congresso Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.
"Da mesma forma que não quero que os cubanos digam como vai ser o processo sucessório no Brasil, não posso dizer como vai ser o processo lá."
"A única coisa que peço é: que o povo cubano deve merecer o melhor como qualquer povo do mundo", acrescentou.
O presidente esclareceu que falava do assunto sem ter detalhes precisos sobre o estado de saúde de Fidel Castro, que passou por uma cirurgia de emergência na noite de segunda-feira devido a sangramento intestinal.
"Se tiver de acontecer (a sucessão de Fidel) que aconteça da melhor forma possível", disse Lula.
"Mas acho também que o Fidel pode sair do hospital amanhã, pode ficar bom e que pode não ser um problema tão grave como parece."
O presidente disse que foi surpreendido pela notícia da internação do líder cubano e recordou que Fidel Castro lhe pareceu saudável no último encontro que tiveram, há 12 dias, numa reunião do Mercosul em Córdoba, na Argentina.
"Fiquei surpreso, porque em Córdoba eu achei ele tão alegre... mas doença é assim mesmo, basta estar bom para ficar doente."
Mais cedo, Lula enviou uma mensagem a Fidel, a quem chamou de "amigo", desejando que o líder cubano se recupere rapidamente da cirurgia.
(Por Ricardo Amaral)