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14/11/2006 - 13h59
O ato homossexual é pecado, mas a "inclinação" é tolerada pela Igreja dos EUA
Por Virginie Montet=(FOTOS)= BALTIMORE, EUA, 14 Nov (AFP) - A Igreja Católica americana estendeu a mão aos fiéis homossexuais reiterando, no entanto, a opinião de que a adoção de crianças por parte de casais homossexuais é um ato imoral.
A Conferência de bispos americanos, que reúne 295 prelados em Baltimore (Maryland, norte) até quinta-feira, examinou hoje um guia "pastoral" sobre a maneira de acolher os fiéis homossexuais na Igreja Católica.
Neste texto dirigido aos sacerdotes - a redação começou há quatro anos, pesando-se cada palavra - "a inclinação homossexual", foi o termo preferido em detrimento de "orientação".
"Possuir simplesmente este tipo de inclinação não constitui um pecado. Mas agir segundo estas inclinações é incorreto", acrescenta o texto, que não impõe "a obrigação moral de buscar uma terapia". "Este documento é mensagem de acolhida que insiste na compaixão", explicou à AFP Monsenhor Arthur Serratelli, bispo de Paterson (Nova Jersey) que preside o comitê de doutrina.
O guia da Igreja Católica americana começa a ser divulgado num momento em que o casamento homossexual vem sendo motivo de muitos debates nos Estados Unidos, Massachusetts é até agora o Estado que o permite.
Assim como os sacerdotes não podem abençoar uniões homossexuais nem "uniões civis com aparência de matrimônio", devem condenar a adoção de crianças por parte de homossexuais, "uma vez que essas uniões são contrárias ao plano divino".
O batismo destas crianças "levanta um problema" reconhece o guia, mas os bispos americanos não rejeitam o sacramento do batismo a estes meninos e meninas se houver "esperança de que sejam educados na religião católica".
Ouvidos em uma entrevista à imprensa se os homossexuais poderiam receber a comunhão, os obispos responderam que a lei moral se aplicava a todos. "A atividade sexual fora do casamento é um grande pecado", resumiu Monsenhor Serratelli. No texto de "preparação para receber a comunhão" são enumerados os "pensamentos ou ações que representem graves violações à lei de Deus". Cita-se o aborto e faltar a missa de domingo sem um "motivo sério".
Em 2004, durante a campanha presidencial, os bispos católicos haviam indicado que se recusariam dar a eucaristia ao candidato católico democrata John Kerry porque ele apoiava o aborto.
Os bispos também aprovaram o financiamento (de 335.000 dólares) de um estudo sociológico universitário sobre as causas de abusos sexuais de crianças por parte do clero. Por enquanto excluem a divulgação dos nombres dos suspeitos de abusos.

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