Por Ricardo Amaral
BRASÍLIA (Reuters) - Depois de um dia de caos nos principais aeroportos brasileiros, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, anunciou no final da noite da terça-feira a recuperação dos equipamentos de comunicação do centro de controle Cindacta 1 (Brasília) e a retomada dos vôos.
A falha no equipamento, inédita segundo Bueno, provocou tumulto, atrasos e cancelamentos em cadeia ao longo do dia. Às 19h30 foram canceladas todas as decolagens nos aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Confins (região metropolitana de Belo Horizonte), além de Brasília.
"Informo que foi restabelecido todo o controle de comunicações no Cindacta 1 e os vôos estão sendo restabelecidos", disse o comandante Bueno a jornalistas depois de uma reunião de emergência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.
Além da retomada dos vôos, Lula determinou a compra imediata de equipamento de comunicações semelhante ao que falhou, para ser instalado e operar como alternativa na região de São Paulo, segundo informou o ministro da Defesa, Waldir Pires, na mesma entrevista.
"O presidente deu instruções peremptórias para ter as condições de Brasília restauradas imediatamente e que haja condições semelhantes em São Paulo, como alternativas permanentes, para não permitir jamais que haja paralisações dos vôos como aconteceu", disse Waldir.
Lula chamou Bueno e Waldir a seu gabinete às 22h30. Também participaram da reunião de emergência o presidente da Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Segundo o comandante Bueno, o equipamento de comunicações que apresentou defeito é de fabricação italiana. A falha teria ocorrido porque um "link" do equipamento teria deixado de funcionar.
Bueno descartou a hipótese de sabotagem por parte de funcionáros ou controladores de vôo. O comandante da Aeronáutica disse que os passageiros que tiveram vôos cancelados devem se informar sobre novos horários com as companhias, porque os vôos acumulados serão retomados paulatinamente.
Passageiros de todo o Brasil vêm enfrentando atrasos nos aeroportos de todo o país desde outubro, quando os controladores de vôo do Cindacta 1 decidiram parar de operar com um número de aeronaves superior ao recomendado.
A decisão foi consequência do acidente, no final de setembro, entre um Boeing da Gol e um jato Legacy, fabricado pela Embraer e de propriedade da empresa norte-americana de fretamento ExcelAire.
Após a colisão entre as duas aeronaves, o avião da Gol caiu no norte de Mato Grosso matando todas as 154 pessoas a bordo. O Legacy conseguiu pousar com segurança numa base aérea do Pará. Foi o pior acidente da história da aviação brasileira.
Bueno negou que os atrasos da terça-feira tivessem relação com os registrados anteriormente, os quais ele atribuiu ao "abalo emocional" sofrido pelos controladores após o acidente com o Boeing da Gol. Segundo ele, esse abalo já foi superado.
Depois da tragédia, controladores chegaram a denunciar a existência de "buracos negros" no espaço aéreo brasileiro, o que foi negado por autoridades da Aeronáutica e do Ministério da Defesa.