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26/12/2006 - 15h00
154 vidas humanas por R$ 200

Marcelo Gutierres
Em São Paulo

Dois CDs piratas por R$ 200. Caro? Para o ex-técnico de som terceirizado da Câmara dos Deputados Arthur Vinicius Silva, não. Esse foi o valor que ele diz ter recebido de dois advogados de integrantes do PCC para repassar informações contra a facção. Dois dias depois, em 12 de março, ocorreu a primeira onda de ataques em São Paulo, provocando a morte de 154 pessoas, entre agentes das forças de segurança e civis.

VENDA DE CDs
Sergio Lima - 23.mai.06/Folha Imagem
Imagem internas do shopping em Brasília onde foram feitas as cópias dos CDs
Durante depoimento à CPI do Tráfico de Armas no dia 10 de maio, os delegados Godofredo Bittencourt e Rui Fontes, ambos do Deic relataram um plano de transferência de líderes da facção para presídios de segurança máxima. A CPI suspeitava de ligações do PCC com o contrabando de armamentos.

Os delegados afirmaram também haver a possibilidade de uma megarrebelião planejada pela organização. Daí a necessidade de concentrar os principais membros da facção na capital paulista, ocorrida no dia 12, para posterior transferência para unidades do interior do Estado.

As informações chegaram ao líder do PCC, Marco William Herbas Camacho, o Marcola, no dia 11, por meio de uma audioconferência em celular entre ele e advogados da facção. A ordem dos ataques derivou dessas conversas.

Arrependido

Vinicius conheceu Sérgio Wesley da Cunha - advogado de Leandro Lima, acusado de integrar o PCC -, e Maria Cristina de Souza Rachado - representante de Marcola - na sessão da CPI. Os dois foram reconhecidos por Bittencourt, o que fez a Comissão tornar a sessão secreta.

As investigações da polícia paulista captaram o conteúdo da audioconferência. Com isso, foi possível chegar à fonte das informações. Com o avanço das investigações, surgiu o nome de Vinicius, que acabou confessando a venda dos CDs.

O técnico foi convocado para depor na CPI. Um vídeo do circuito interno de um shopping de Brasília revelou que ele esteve com os advogados do PCC para realizar as cópias dos depoimentos. À Comissão, ele afirmou ter ciência de que se tratava de representantes da facção e os acusou do suborno. Os advogados negaram.

"Achei que eles [os advogados] queriam uma forma melhor de defender os clientes", afirmou na época o ex-prestador de serviços. "Depois que vi na TV me perguntei: será que foi pelo que fiz? Estou desde sábado sem dormir."

O relatório da CPI do Tráfico de Armas foi concluído em 29 de novembro. O documento pede o indiciamento de 16 pessoas, entre elas, Arthur Vinicius Silva e dos advogados Sérgio Wesley da Cunha e Maria Cristina de Souza Rachado.

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