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01/01/2007 - 19h31
Em cerimônia vazia, Lula ignora aliados e cutuca oposição

Por Natuza Nery e Carmen Munari

BRASÍLIA (Reuters) - Quando a sirene do plenário da Câmara dos Deputados anunciou a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva, os políticos que ali estavam se amontoaram para abraçá-lo. Na cerimônia de posse, alguns aliados históricos acabaram ignorados pelo petista, seja pelo assédio excessivo, seja pela frieza voluntária com que tratou antigos companheiros de luta política.

Ricardo Berzoini (PT-SP), licenciado da presidência de seu partido após o escândalo do dossiê, bem que tentou conversar com o amigo, mas Lula passou reto. Coube à primeira-dama, Marisa Letícia, bem atrás de seu marido, responder ao gesto.

Berzoini retoma o comando da legenda na terça-feira.

Como ele, outros petistas saíram da solenidade "chateados".

"Puxa, estava tão animada, mas ele só deu um tapinha do meu rosto", disse uma parlamentar petista, sob condição de anonimato.

Diferentemente de quatro anos atrás, quando o plenário estava lotado, com pessoas em pé, a chamada "Casa do Povo" tinha lugares sobrando nesta segunda-feira.

A cerimônia foi tímida e protocolar. Os convidados, ministros e parlamentares aliados ao Planalto, receberam o presidente com um conhecido refrão de campanha: "Olê-olê-olê-olá-Lu-lá-Lu-lá".

Por volta das 16h20, ele prestava o juramento à Constituição, sendo empossado para seu segundo mandato como presidente da República.

Em seu discurso, Lula cutucou a oposição, falou do "preconceito elitista" desta classe política, mas chamou seus adversários ao diálogo e, mais uma vez, fez um apelo pela reforma das regras eleitorais e partidárias do país.

Apesar da alfinetada na oposição, ponderou: "Não desejo que a oposição deixe de cumprir o papel que dela esperam".

Na platéia, um crítico oposicionista destoava dos demais convidados, majoritariamente governistas.

O líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), ouvia o discurso atentamente, mas não acompanhou as cinco salvas de palmas que o petista recebeu, sobretudo na mais efusiva delas, quando disse que não era um presidente populista, mas um presidente popular.

"As pessoas não vieram porque sabiam que o show não seria novidade. Seria a reedição de um filme antigo. Na primeira posse do presidente, até a oposição poderia esperar uma coisa nova, que o Brasil andasse. O que aconteceu hoje é que o governo velho acabou e o governo novo não começou", afirmou Aleluia.

Mesmo com tanto espaço disponível, o petista e líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), prostrou-se de pé, na fila do gargarejo, durante os 37 minutos de discurso.

Chinaglia disputa com o atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o comando da Casa pelos próximos dois anos. O parlamentar comunista estava sentado ao lado do presidente, e recebeu dele uma série de cochichos ao pé do ouvido.

Lula não manifestou publicamente preferência por nenhum dos dois nomes, ambos da base aliada, mas avaliações políticas feitas por ele a interlocutores próximos dão conta de que prefere a reeleição de Aldo.

Ao final da cerimônia, uma nova e ainda maior fila impedia que o presidente passasse. Não faltaram cumprimentos curiosos e palmadas nas costas.

Apesar da rixa política com o ex-petista e adversário na campanha eleitoral, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ele mereceu um efusivo abraço.

José Genoino, presidente do PT na época do escândalo do mensalão, estava discretamente entre os convidados. Foi encontrado pelo presidente e ganhou do antigo companheiro um abraço apertado.

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