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09/03/2007 - 16h41
Bush diz que não reduzirá já a taxa sobre o etanol brasileiro

Da Redação
Em São Paulo*

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse em entrevista coletiva que não concorda com o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a redução imediata da tarifa norte-americana de importação do etanol brasileiro, que é de US$ 0,54 (cerca de R$ 1,13) por galão.

REUNIÃO EM HOTEL EM SÃO PAULO
Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem
Lula e Bush deram entrevista coletiva no início da tarde desta sexta em São Paulo
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O presidente brasileiro sugeriu que acordos entre o Brasil e os EUA sejam ampliados
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O presidente americano disse que acordos são possíveis se ambos trabalharem juntos
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Lula e Bush afirmaram ter compromisso com o sucesso da Rodada de Doha
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"Isso não vai acontecer. A lei vai até 2009", disse Bush, referindo-se à recente renovação pelo Congresso dos EUA da legislação que estipula a tarifa.

As declarações foram feitas em São Paulo no início da tarde desta sexta-feira, depois de pronunciamento conjunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em resposta, Lula disse que a redução da tarifa de importação do etanol depende de "muita conversa e convencimento" para ser efetivada. "Não acho que um paÍs vá abrir mão das coisas que protegem seu comércio porque um outro está pedindo. É um processo de convecimento, de muita conversa, e vai chegar um dia que essa conversa vai amadurecer e chegar num denominador comum que vai permitir um acordo", afirmou.

A redução da tarifa é a questão central da negociação sobre biocombustíveis entre os dois países, ponto principal da visita de Bush ao Brasil.

Os produtores brasileiros de álcool pressionaram o governo para que Lula pedisse a diminuição da tarifa a Bush, mas, de modo geral, o setor apostava que não haveria mudanças expressivas nesta direção durante a visita.

Para a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a tarifa não impede que o Brasil, produtor mais eficiente de etanol, embarque produto para os EUA, mas representa uma barreira ao livre comércio, devendo, portanto, ser removida.

Os EUA foram o principal mercado comprador de álcool em 2006, respondendo por cerca de metade do total embarcado pelo Brasil. O petróleo caro e a oferta escassa de etanol produzido nos EUA criaram condições no ano passado para que as exportações acontecessem apesar da tarifa.

Otimismo com Doha

Os dois presidentes também manifestaram otimismo em relação às negociações comerciais da Rodada de Doha, no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio). No pronunciamento, Lula mandou um recado aos ministros das Relações Exteriores dos dois países: "façam acordo o mais rápido possível".

O presidente brasileiro disse que, se Brasil e EUA se entenderem, "fica mais fácil" convencer os outros países a aderir a acordos sobre os subsídios de produtos agrícolas praticados pelos países desenvolvidos.

Lula relatou ter conversado detidamente com Bush sobre o comércio mundial e repetiu o otimismo com uma solução em curto prazo para as negociações, que foram interrompidas temporariamente no final do ano passado.

Bush, que falou logo em seguida, disse em resposta que a rodada "é importante", que Brasil e EUA estão "no centro do debate". Segundo ele, há muito trabalho a ser feito, mas um acordo é possível e, se Brasil e EUA trabalharem juntos, "muitos outros países poderão trabalhar juntos".

PELA MANHÃ, ACORDO
AFP
Em uma visita à Transpetro, subsidiária da Petrobras em Guarulhos (SP), os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, George W.Bush, anunciaram um acordo de cooperação tecnológica entre os dois países para produção do etanol. E, em seus discursos, enalteceram a necessidade e a importância estratégica da parceria.

A definição de padrões e normas para os biocombustíveis, principalmente para o álcool, é considerada por especialistas um passo fundamental no processo de transformar o produto em uma commodity internacional, que poderia ser largamente negociada em várias partes do mundo. Se, por esta ótica, o acordo é um avanço, as tarifas dos EUA ao álcool nacional prosseguem e não foram contempladas no memorando divulgado nesta quinta.
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Diálogo aprofundado

O presidente brasileiro afirmou que a atual visita de Bush ao país é mais um passo do aprofundamento do diálogo entre os dois países. A visita é um reflexo do "excelente momento" das relações bilaterais. Lula citou a ampla rede de relações empresariais entre os países e os progressos no comércio bilateral e nos investimentos norte-americano no Brasil.

Sobre o etanol, assunto central da visita de Bush, Lula disse que o Brasil orgulha-se de ter participado da decisão norte-americana de ampliar o uso de biocombustíveis. Ele ressaltou que o programa brasileiro do etanol é fruto de mais de 30 anos de investimento e que tem como resultado o respeito ao meio ambiente, um forte impacto social e a capacidade de gerar empregos.

Lula disse que o memorando de entendimento sobre cooperação na área do etanol assinado nesta sexta pelos dois países é um "passo decisivo" para impulsionar a democratização energética em todo o mundo. "Todos podem sair ganhando", disse Lula sobre o uso de biocombustíveis.

O brasileiro lembrou que a América Latina passa por um momento político "excepcional", em que abriu mão das ditaduras, mas que agora as populações do continente têm como prioridade acabar com a pobreza. Segundo Lula, "a integração é o melhor caminho para o fortalecimento da democracia". Ele disse ainda que, na América do Sul, esse processo se baseia no respeito "às decisões políticas e econômicas".

"A democracia prospera quando se tem desenvolvimento econômico e social, quando se erradica a pobreza", disse. Lula pediu ajuda aos EUA para construiur projetos conjuntos que retirem dos países ricos a pecha de que são apenas "exploradores".

Combustíveis: "meta alcançável"

Falando logo em seguida, Bush referiu-se ao etanol e disse que voltará aos EUA com a idéia de reduzir o consumo norte-americano de gasolina em um prazo de dez anos. Para Bush, trata-se de uma "meta alcançável".

Ele disse que o Brasil é um exemplo para outras democracias, que o país tem sido um grande líder para promover a estabilidade na América Latina e que Lula "tem de ser orgulhoso" da maneira como ter agido.

Bush concorcou com Lula e afirmou que o sucesso da Rodada de Doha é "essencial por muitas razões". O líder americano disse ainda que o comércio é "a ferramenta contra a pobreza mais eficiente que existe" e a melhor maneira de reforçar a democracia no continente americano.

Lula sugeriu que acordos de cooperação entre Brasil e EUA sejam ampliados. Ele citou, como exemplo, a ida de estudantes brasileiros para cursos nos EUA. Segundo ele, seria uma maneira de os jovens brasileiros terem uma imagem mais positiva do povo norte-americano.

Em relação à política para o Oriente Médio, Bush disse que espera que os iranianos e os sírios ajudem o governo iraquiano, mas sem intervenções no território do Iraque.

Chávez

Questionado sobre a influência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Bush negou que os Estados Unidos tenham voltado as costas para a América Latina nos últimos anos e assegurou que, pelo contrário, trazia uma mensagem de boa vontade durante sua visita, tumultuada por manifestações.

"Esta descrição não é apoiada pelos fatos" declarou. "É talvez uma maneira de as coisas serem percebidas, mas certamente é contestada pelos fatos."

"Trago a boa vontade dos Estados Unidos para com a América do Sul e a América Central", disse.

Com agências internacionais


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