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30/03/2007 - 14h44
Controladores de vôo decidem começar greve de fome em Brasília
da Redação
Brasília - Os sargentos controladores de vôo, que estavam de folga e foram obrigados a comparecer à formatura militar no Cindacta 1 (Centro de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, decidiram permanecer nas instalações militares e iniciar uma greve de fome. Mais de cem controladores estão concentrados no Cindacta-1, sem previsão para deixar o local. Os que deixaram o trabalho na manhã de hoje se juntaram aos sargentos em greve.
O movimento é contra as supostas retaliações que estariam sendo adotadas pela Força Aérea Brasileira (FAB) contra os controladores, que estão sendo transferidos aleatoriamente, perseguidos e punidos, segundo os grevistas. Ao mesmo tempo, o ministro da Defesa, Waldir Pires, se reúne com a cúpula do setor aéreo para discutir a crise nos aeroportos.
A queda-de-braço entre Comando da Aeronáutica e controladores de vôo, que alegam estar sendo vítimas de punições no trabalho, poderá levar a um novo caos aéreo. Além do indicativo de greve para segunda-feira dos controladores civis do Rio de Janeiro, há uma mobilização dos militares em alguns pontos do País que já começa a ter reflexos nos vôos. Hoje, em Brasília, também deve ocorrer uma manifestação, aproveitando as comemorações do Dia Mundial da Meteorologia. Esse movimento poderá deflagrar paralisações ou novas operações-tartaruga em diversos aeroportos brasileiros. Ontem, seis vôos de Manaus (AM) sofreram atrasos com a operação-padrão desencadeada na cidade.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Tráfego Aéreo, Jorge Botelho, embora não represente os militares, nega que eles estejam fazendo operação-padrão. Explica, no entanto, que eles têm de fazer "retenção de fluxo", que significa segurar aviões no chão para aumentar o espaçamento entre as decolagens, por causa de problemas não solucionados nos equipamentos de Manaus.
O estopim do problema teria sido a transferência compulsória para Santa Maria (RS) do primeiro-sargento controlador Edileuso Souza Cavalcante, que era diretor de Mobilização da Associação Brasileira do Tráfego Aéreo (ABCTA), lotado, até então, no Cindacta-1, em Brasília. No caso de Cavalcante, a Aeronáutica disse que a transferência foi "por necessidade de serviço".
Extra-oficialmente, a informação que circulava era de que ele foi transferido como forma de punição administrativa, em razão de sua mobilização na associação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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