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05/06/2007 - 17h38
Benitez, goleiro campeão pelo Inter, vira "cartola" do Zequinha

  E então o Mauro Galvão virou meu corpo e me salvou, pois eu morreria.
Benitez, 55 anos, lembrando o acidente que interrompeu prematuramente sua carreira
José de La Cruz Benítez Santa Cruz
03/05/1952
Assunción (PAR)

Times
- Olímpia-PAR (1970 a 77)
- Internacional (1977 e 1979 a 83)
- Palmeiras (1978)

Títulos
Sul-americano - Sub-20 (Seleção do Paraguai, 1971)
Paraguaio - 1971, 75 e 76 (Olímpia)
Brasileiro - 1979 (Internacional)
Gaúcho - 1981/82/83 (Internacional)

Vinicius Simas, do Pelé.Net

PORTO ALEGRE - Passado mais um dia normal de trabalho, o ex-jogador Benítez, um dos maiores goleiros da história do Internacional, costuma parar em alguma cafeteria do bairro Menino Deus, que fica entre os estádios Olímpico e Beira-Rio, para degustar um café e fazer lanche antes de ir para casa. O goleiro que fez história no Colorado demonstra simpatia e bom humor com todas as pessoas com quem conversa, e tem prazer em relembrar os tempos em que salvava o time com belas e importantes defesas. Quase 25 anos depois de abandonar os gramados devido a um grave acidente, hoje veste a cartola e atua como diretor de futebol de um pequeno clube da zona norte de Porto Alegre.

Pelé.Net
Um dos maiores goleiros da história do Inter, Benitez gosta de parar para tomar um cafezinho e recordar suas defesas, que ajudaram o clube colorado ser campeão brasileiro de forma invicta em 1979
Há dois anos Benítez assumiu o cargo no São José, popular Zequinha, onde é o encarregado de preparar as categorias de base. Antes disso foi empresário por cerca de dez anos, período em que adquiriu bom conhecimento em transferências de atletas. "Trouxe alguns paraguaios para o Inter e para o Grêmio, como o (zagueiro) Gamarra. Me dou bem com todos, posso entrar em qualquer lugar sem problemas", conta.

Mesmo depois de terminar a carreira de atleta, em 1983, permaneceu mais sete anos no Inter, como preparador de goleiros. Nessa época deu instruções para um garoto que, no futuro, se tornaria um dos maiores símbolos do tetracampeonato mundial do Brasil. "Hoje em dia existem muitos goleiros bons, mas o Taffarel é o último que jogava de forma parecida comigo. Talvez o trabalho que fizemos juntos no início da carreira dele tenha influenciado", acredita.

Benítez, na verdade, nunca se afastou do futebol. Fez carreira de técnico em diversos clubes do interior gaúcho (São José, Glória, Brasil de Farroupilha, entre outros), até fazer a opção pela carreira de empresário, em 1994. "Não penso em voltar a treinar algum time. Já estou há um bom tempo no Zequinha, onde é bom de trabalhar. Estamos preparando a garotada para as competições do segundo semestre, estou satisfeito lá", garante.

Acidente em amistoso pôs fim prematuro à carreira
Em março de 1977 Benítez fez a partida que considera a mais importante da sua vida. Pelas eliminatórias da Copa do Mundo, fechou o gol do Paraguai no empate em 1 a 1 com o Brasil, no Maracanã. "Enfrentar o Brasil é sempre difícil, e ainda estávamos com dois jogadores a menos. Tive muito trabalho naquele dia e fui bem", recorda. O destaque alcançado, com direito a uma defesa espetacular e inesquecível, à queima-roupa, desferido por Rivelino, fez com que o Inter o contratasse.

Outro feito que orgulha o paraguaio é o título de Campeão Brasileiro de 1979. "Ser campeão invicto é uma coisa muito rara. Acho que nunca mais algum clube repetirá nossa façanha", avalia. Três campeonatos estaduais ainda seriam conquistados antes do lance que acabou com a carreira de Benítez.

Num amistoso em Alegrete, contra um combinado de jogadores locais, o Inter perdeu seu goleiro. O placar da partida não teve importância, mas um lance específico jamais sairá da memória de Benítez. "Foi no dia 4 de dezembro de 83. O - zagueiro - Mauro Pastor tentou atrasar a bola, mas o campo era ruim e tive que sair do gol. Dividi a bola com o atacante e acabei batendo a cabeça na perna dele. Tive uma compressão da medula, caí no chão e estava me asfixiando. Então o Mauro Galvão virou meu corpo e me salvou, pois eu morreria". Mais do que encerrar a carreira prematuramente, a jogada quase o deixou paralítico.

O médico Paulo Rabelo, que até hoje trabalha no Inter, acompanhou o goleiro durante todo o longo período de recuperação. "Nessas horas a gente vê quem é amigo. O Paulo não me tratou só como paciente, esteve no meu lado o tempo todo. Até hoje é um grande amigo", diz.

O acidente que quase tirou a vida do paraguaio é encarado com naturalidade. "Tinha 31 anos na época, poderia jogar por mais alguns anos, mas isso faz parte. Não foi minha primeira lesão, isso acontece. Tive uma carreira muito feliz, foi tudo certo até aquele dia. Só tenho saudade do ambiente, dos treinos, das viagens. Sem falar da torcida lotando o estádio", conta.

Uma fidelidade que não existe mais
É fácil de perceber que Benítez leva a vida com alegria. Procura ser simpático com todos à sua volta, e adora ser reconhecido nas ruas. "Gosto de ir a lugares como o supermercado. Os torcedores mais antigos vêm conversar comigo, e não são só os colorados. Sempre respeitei todos, por isso até os gremistas me cumprimentam", revela.

O ex-goleiro se considera um legítimo torcedor do Inter, acompanha o time e vai aos jogos sempre que pode. Contente com o título da Copa Libertadores da América e do Mundial em 2006, Benítez não se preocupa com a fase complicada pela qual passa o time atualmente. "Não se pode encarar tantas competições e ir bem em todas. É preciso focar a Recopa - a decisão é nesta quinta-feira, contra o Pachuca - e depois se preocupar em melhorar no Brasileiro", recomenda.

No tempo em que era goleiro, o ritmo de partidas não era tão intenso. "Não costumávamos jogar tanto. Mas quem escolheu essa profissão precisa se dedicar, e o futebol de hoje é muito mais profissional. Antes existia paixão, a gente ficava anos no mesmo time. Agora a preocupação é trocar de lugar. Quanto mais transferências, melhor", reflete.

Assim como não troca de time, o paraguaio se mantém fiel à capital gaúcha. "Não penso em sair de Porto Alegre. Desde que vim pra cá moro no Menino Deus. Adoro tudo daqui, das pessoas ao clima", revela. Sua postura é a mesma em relação ao matrimônio. Logo que assumiu a camisa 1 do Inter no final dos anos 70 conheceu Ivana, que se tornou sua primeira namorada brasileira. Trinta anos depois o casal segue unido. "Hoje em dia as pessoas se juntam e se separam. Nós namoramos cinco anos e há 25 estamos casados", conclui.

Uma relação que ele considera a ideal, perfeita, algo como ganhar um Brasileirão de forma invicta, como no seu maior título, naquele distante 1979.

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