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24/10/2007 - 22h53
Maior avião comercial do mundo faz seu vôo de estréia entre Cingapura e Austrália
Da Redação Em São Paulo
O Airbus A380 entregue à Singapore Airlines decolou nesta quinta-feira de Cingapura com destino a Sydney, em seu primeiro vôo comercial, segundo a jornalista da AFP a bordo do avião gigante.
O avião decolou do aeroporto de Changi às 8h16 local (22h16 de quarta-feira em Brasília), para chegar a Sydney após 7 horas e 30 minutos de vôo.
Após 101 anos do primeiro vôo do aeroplano 14Bis, o A380, novo modelo da Airbus considerado o maior jato de passageiros do mundo, pretende revolucionar a aviação mundial e ser um marco na era dos superjumbos.
Com cerca de um ano e meio de atraso nas entregas e com as promessas de oferecer menor preço de passagens aéreas, diminuir o número de aviões nos aeroportos, acompanhar a demanda crescente de passageiros, ser 50% mais silencioso, gastar menos combustível e ainda ser 40% menos poluente, o novo jato realiza nesta quinta-feira seu primeiro vôo comercial pela companhia Singapore Airlines.
 O primeiro vôo comercial do A380 vai de Cingapura a Austrália com 471 passageiros |
O vôo de estréia será entre Cingapura e Austrália e terá 471 passageiros a bordo. As passagens foram leiloadas pelo site eBay e os passageiros pagaram entre US$ 560 e US$ 100.380 pelos bilhetes. Todo o dinheiro arrecadado na ação - estimado em US$ 1,3 milhão - será doado para obras de caridade.
O modelo da Singapore tem 12 suítes de luxo, com cama, monitor de televisão com tela plana, mesa de escritório, poltrona reclinável e cardápio variado. No segundo andar estão distribuídas 60 poltronas da classe executiva, que podem virar cama. Os 399 assentos correspondentes à classe econômica estão divididos entre os dois níveis da aeronave.
As medidas do 'gigante' impressionam: são 73 m de comprimento, 24,1 m de altura, 79,8 m de envergadura (distância de uma ponta da asa a outra), peso máximo na decolagem de 560 toneladas, capacidade para até 870 passageiros, velocidade máxima de 1.076 km/h e alcance de 15.200 km. Especialistas da indústria de aviação chegaram a duvidar da viablidade do projeto, que lança um desafio de adaptação aos aeroportos.
De acordo com Mário Sampaio, consultor da Airbus no Brasil, o custo estimado de todo o projeto e seu desenvolvimento gira em torno de 10 bilhões de euros, ou acima de US$ 13 bilhões. O preço de um avião simples está tabelado em US$ 285 milhões. "O grande objetivo do A380 é atender a demanda de passageiros aéreos no mundo, que deve crescer nos próximos 20 anos a uma taxa em torno de 5% ao ano", explicou o consultor.
No total, a Airbus já vendeu 189 unidades do A380, para 17 clientes, de acordo com Sampaio. Alguns dos clientes são Air France, Lufthansa, Singapore Airlines e Emirates - só esta última comprou 47 aviões e lidera o ranking de mais unidades adquiridas.
O desenvolvimento do superjumbo A380 desencadeou o que pode ser o principal caso comercial já analisado na história da OMC (Organização Mundial do Comércio). A briga entre Airbus e Boeing teve início em outubro de 2004 e tem como motivo subsídios de até US$ 300 bilhões.
O maior avião do mundo também foi pivô de um escândalo de suposto vazamento de informações que teria beneficiado cerca de 20 dirigentes e acionistas da EADS, empresa que controla a Airbus.
Comparativo Informações da Airbus apontam que o A380 é 50% maior que o Boeing 747, o maior avião comercial do mundo até então. Entretanto, o novo modelo oferece apenas 35% a mais de poltronas, com o objetivo de proporcionar maior conforto e mais espaço para cada passageiro.
Um silencioso sistema de sonorização e um motor econômico e pouco poluente também são vendidos pela Airbus como trunfos do A380. De acordo com Sampaio, "o modelo é 50% mais silencioso e a emissão de gases das turbinas é 40% menor do que qualquer concorrente."
A Airbus aposta em dois pontos para que o A380 faça sucesso com as companhias aéreas: elas vão poder atender a demanda do crescimento de passageiros com menos aviões - e os menores custos de operação por passageiro (queda de 15% a 20%) vão permitir oferecer menores tarifas. Mas os números convenientes da Airbus dependem da complementação da capacidade de passageiros. Até mesmo poucos assentos vazios em um avião tão grande podem, de fato, acabar com as margens de lucro de uma companhia de aviação.
A Airbus também vê vantagens para os aeroportos, que passarão a ter menos aviões nos pátios. A empresa minimiza, porém, as modificações de infra-estrutura pelas quais os aeroportos terão que passar se quiserem receber um A380. A maioria das pistas é extensa e larga o suficiente para um pouso do novo jato. O problema é o espaço nos terminais para um avião de números tão grandes, tanto em relação às medidas como a passageiros e bagagens.
Segundo o consultor da Airbus, 14 aeroportos no mundo todo estarão, até o final deste ano, prontos para receber os vôos do A380, entre eles Cingapura, Sidney, Hong Kong e Londres. "E até o final de 2010, a expectativa é que 70 aeroportos estejam aptos para trabalhar com o A380", completou.
Após a estréia comercial de hoje, com direito a um certificado personalizado aos que estiveram presentes a bordo do histórico vôo, a segunda rota planejada pela companhia aérea será entre Cingapura e Londres, na Inglaterra, no início de 2008.
No Brasil, o A380 só deve começar a operar a partir de 2010, segundo a fabricante. Até lá, os aeroportos brasileiros que podem recebê-lo (Cumbica, em SP, e Galeão, no Rio) terão que passar por adaptações, como alargamento das pistas, ampliação das salas de embarque e construção de pontes duplas para que passageiros possam entrar e sair do avião pelos dois andares simultaneamente.
O aeroporto de São Paulo poderá receber um vôo-teste do A380 no mês de dezembro, mas Airbus e Infraero não confirmam a data.
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| 04/mai/05 | Airbus informa a Singapore Airlines que haverá atraso na entrega da aeronave, adiada para o segundo semestre de 2006 |
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| 20/jun/05 | Airbus aumenta preço do A380 de US$ 282 milhões para US$ 292 milhões |
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| 13/jun/06 | Segundo anúncio de atraso nas entregas do A380, atribuído a problemas elétricos. Entregas previstas caem de 25 para 9 |
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