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18/11/2007 - 15h27
Número de mortos por ciclone em Bangladesh pode chegar a 10 mil, diz Cruz Vermelha

das agências internacionais

Atualizado às 20h01

O número de mortos vítimas do ciclone Sidr, que varreu na quinta-feira (15) o sul de Bangladesh, poderá chegar a entre 5 mil e 10 mil, disse neste domingo à AFP o dirigente da Cruz Vermelha local.

O número de vítimas chega, por enquanto, a 3.000 mortos confirmados", disse Abdur Rab, dirigente do Crescente Vermelho em Bangladesh - a maior organização humanitária do país.

"Podem passar de 5 mil, mas abaixo dos 10 mil", acrescentou, explicando que ainda não há um número de definitivo nas zonas mais remotas, de difícil acesso.

CICLONE AFETOU 7 MILHÕES
Segundo a Cruz Vermelha, entre 6 milhões e 7 milhões de bengaleses foram afetados pelo ciclone Sidr.

Três dias após a devastadora passagem do ciclone por Bangladesh, as equipes de resgate continuam a procurar sobreviventes

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Milhões de pessoas estão desabrigadas e ainda permanecem sem alimentos ou ajuda médica, segundo os serviços de emergência.

O diretor geral da célula de crise do governo, Masud Siddiki, confirmou o número divulgado antes pelo ministério de Gestão de Catástrofes Naturais, de 2 mil mortos, destacando, no entanto, que a cifra aumenta constantemente, "na medida em que recebemos mais informação dos distritos afetados".

Sobreviventes desesperados declararam à AFP que esperam com certeza a morte se não receberem rapidamente água e alimentos.

"Não podemos ficar nesta aldeia desse jeito. Os corpos flutuam nos rios e cobrem os arrozais", contou Abdul Zabbar, um professor. Segundo ele, "nenhum socorro chegou até nós".

O Crescente Vermelho calcula que "900 mil famílias necessitem de ajuda", o que equivale a sete milhões de pessoas.

Pavel Rahman/AP
Sobreviventes do ciclone esperam ajuda
MAIS IMAGENS DA TRAGÉDIA
A Marinha está enviando toneladas de víveres e medicamentos, e a Força Aérea mobilizou seus helicópteros.

A União Européia, e de forma individual Alemanha, Suíça e Espanha mandaram três milhões de euros. Os Estados Unidos também propuseram assistência.

No entanto, "milhões de pessoas não têm para onde ir por enquanto, e menos de 1% da população recebeu auxílio", avaliou Hariprasad Pal, administrador do distrito de Jhalokati, um dos mais afetados junto com Barguna, a uma centena de quilômetros ao sul de Dacca.

"Nunca vi uma catástrofe de tal dimensão em 20 anos de carreira. Cada aldeia, uma atrás da outra, foi arrasada", explicou Pal, que qualifica o Sidr de "grande tragédia".

Alguns sobreviventes o chamam "de Juízo Final".

Formando uma impressionante massa de 500 km de diâmetro, o ciclone Sidr assolou com ventos de 240 km/h os distritos costeiros do país, perto da fronteira com o Estado indiano de Bengala Ocidental.

Os moradores de Jhalokati, cidade da costa sul - uma das áreas mais afetadas - narraram seu "terror" quando os ventos e a chuva torrencial castigavam suas casas.

"Jamais vi cenas tão terríveis. Foi um inferno. Vi dezenas de telhados serem arrancados das casas", contou Manik Roy, um empresário de 50 anos, vizinho da cidade, situada a 140 km de Dacca.

Também em Bangladesh, um furacão deixou meio milhão de mortos em 1970 e um maremoto, em 1991, causou outras 138 mil vítimas.


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