Brasília - O Brasil ingressa para o grupo de países de alto desenvolvimento humano de forma tardia e com desempenho ainda bastante tímido. Uma rápida olhada nos indicadores mostra o quanto a atuação do País está aquém dos vizinhos Chile, Uruguai, da Argentina e também do México. "Caso queira se aproximar de outros países, o Brasil precisa adotar uma agenda específica ", avalia o assessor especial para Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, economista Flávio Comim. O assessor se vale de cinco indicadores para mostrar o longo caminho a percorrer. A começar pela desigualdade social. Em 2004, a faixa 20% mais rica de brasileiros ganhava 21,8 vezes a mais do que o grupo 20% mais pobre. No México, tal índice é expressivamente menor: 20% mais ricos ganham 12,8 vezes mais do que os 20% mais pobres. No Uruguai, 10,2 vezes e no Chile, 15,7.
"O copo do Brasil ainda está meio vazio. Há muito o que ser feito para se aproximar da Argentina, que desde a década de 80 está entre o grupo de alto desenvolvimento humano", completa. O número de mortes registradas entre mulheres durante ou logo depois do parto, é o segundo exemplo dado pelo economista. No Brasil, são registradas 110 mortes por cada 100 mil habitantes. Na Argentina, são 77 por 100 mil. O México apresenta um índice ainda menor: 60 por 100 mil, o que representa quase metade da marca brasileira.
A mortalidade entre menores de cinco anos também é significativamente maior no Brasil. São 33 mortes por mil nascidos vivos. Na Argentina, são 18 mortes por mil e no Uruguai, 15 - menos da metade da taxa brasileira.
Na área de saneamento, o exemplo brasileiro também deixa a desejar. Em 2004, a rede de esgoto atendia 75% da população. No Uruguai, a rede já atendia 100% da população e na Argentina, 91%. Com abastecimento de água a situação não é diferente. Na Argentina, 96% da população tem acesso à água encanada. No Chile, 95% enquanto no Uruguai, 100%. O Brasil oferece abastecimento para 90% de sua população, o mesmo que o Nepal, o 142º colocado no ranking. "O que se vê são cinco áreas em que o Brasil precisa ainda melhorar de forma significativa. Em alguns quesitos, o País apresenta taxas parecidas com as africanas", completou.
Ligia Formenti e Lisandra Paraguassu