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06/12/2007 - 10h00
Quase 70% dos homens jovens morrem por causas violentas

Felipe Gil
Em São Paulo

O levantamento de Estatísticas do Registro Civil do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2006, divulgado hoje, mostra que a morte de homens de 15 a 24 anos por causas violentas (homicídios, suicídios, acidentes etc.) representou 67,9% do total de óbitos registrados nesta faixa etária no ano passado. A proporção é praticamente a mesma de 2005, quando 68,2% dos óbitos registrados foram atribuídos a mortes não naturais.

Se levadas em consideração todas as faixas etárias, o percentual de mortes violentas entre os homens brasileiros foi de 15,2% - contra 15,3% em 2005. Entre as mulheres, o número ficou em 4,1%, praticamente o mesmo desde 1990, quando era de 4,3%.

MORTES VIOLENTAS ENTRE JOVENS DE 15 A 24 ANOS (%)
199060,628,9
200270,234,0
200369,934,0
200469,333,9
200568,233,7
200667,933,6
AnoHomensMulheres
UNIÕES E DIVÓRCIOS CRESCEM
MÃES JOVENS: 20% DO TOTAL
De acordo com a médica Maria Fernanda Tourinho Peres, coordenadora científica do Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo), os números mostram que a violência se espalha por todo o país. "O levantamento traz taxas de mortalidade altas não só nos tradicionais nichos, como Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco", avalia.

O Sudeste lidera, com uma proporção de mortes violentas de 75,9% para jovens de 15 a 24 anos. A segunda região com maior proporção de mortes não-naturais é a Sul (70,7%), seguida pela Centro-Oeste (69,8%), Nordeste (57,5%) e Norte (53,1%). O estudo alerta, no entanto, para o fato de que a proporção de sub-registros - ocorrências não catalogadas - chega a 31,2% no Nordeste, o que pode influir no resultado.

Entre 1990 e 2002, a proporção de mortes violentas entre os jovens se elevou de 60,6% para 70,2%. Nos anos posteriores, houve queda, chegando o índice a 68,2% em 2005.

Arte UOL
Infográfico traz dados divulgados pelo IBGE
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Para Maria Fernanda, a queda de apenas 0,3 ponto percentual de 2005 para o ano seguinte pode mostrar que não havia realmente uma tendência de queda desde 2002. "Não vejo nenhuma mudança de políticas públicas que explique uma queda. Talvez nesse período tenha havido uma flutuação na qualidade da informação ou uma queda discreta que não se consolidou como tendência. Para isso (confirmar uma tendência), precisamos de um período de tempo maior", analisa.

Considerado o número de mortes por grupo de 100 mil habitantes, o Rio de Janeiro é o estado mais violento para os jovens: 216,1 homens de 15 a 24 anos morreram de forma não natural para cada 100 mil moradores do estado. Em seguida vêm Espírito Santo (203,8 por 100 mil), Pernambuco (203,6 por 100 mil) e Amapá (169,6 por 100 mil).

São Paulo está na 13ª posição entre os estados, com 125,1 mortes violentas por cada grupo de 100 mil habitantes. O estado menos violento é o Piauí, com 48,7 mortos para cada grupo de 100 mil. De acordo com a pesquisadora da USP, isso demonstra que, mais do que à pobreza, a violência pode estar ligada a locais com grandes desigualdades e ausência do poder público. "Há muitos estudos de diagnóstico, que mostram esse perfil, e ainda poucos que tentam compreender porque a juventude é tão vitimizada. Ela é muito mais vitimizada do que perpetradora de violência", diz.

MORTALIDADE INFANTIL SEGUNDO A METODOLOGIA (POR MIL)
199037,248,7
200216,726,8
200315,526,0
200414,825,4
200513,623,3
200613,421,8
AnoRegistro civilCensos demográficos
Mortalidade infantil
De acordo com os registros civis, a mortalidade infantil (morte de crianças com menos de um ano de vida) no país ficou em 13,4 para cada mil nascidos vivos em 2006, praticamente o mesmo que em 2005, quando foi de 13,6 para cada mil.

A pesquisa aponta a diferença entre os níveis de mortalidade infantil se levados em conta os registros civis ou levantamentos como o Censo e a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio).

Tomando os últimos como base, a taxa de mortalidade infantil no último ano ficou em 21,8 casos a cada grupo de mil nascidos.

A diferença ocorre principalmente no Nordeste e no Norte do país, regiões com elevadas taxas de sub-registros. No Nordeste, a defasagem nos registros de óbitos de bebês chega a 68,9%. O estudo destaca que "as tendências, independentemente da metodologia utilizada, são de queda da mortalidade infantil".


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