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12/12/2007 - 13h21
Garibaldi Alves é eleito presidente do Senado
Da Redação
Em São Paulo
Atualizada às 17h20
O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) é o novo presidente do Senado Federal. Candidato único, ele foi eleito em sessão no início da tarde desta quarta-feira (12) com 68 votos a favor, 8 contra e 2 abstenções, num total de 78 votos, para suceder Renan Calheiros (PMDB-AL), que renunciou ao cargo depois de ser alvo de uma série de denúncias.
O senador cumprirá o mandato deixado pela metade pelo seu antecessor, e deve presidir a Casa até fevereiro de 2009. O senador foi candidato único na eleição desta quarta-feira. O PSDB desistiu, na noite de ontem, de lançar candidato à sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL). Em reunião, a bancada tucana decidiu exigir de Alves vários compromissos - entre eles reerguer a imagem da instituição e atuar com harmonia, mas independência em relação aos demais poderes, especialmente em relação ao Palácio do Planalto - para retirar a candidatura.
Em seu discurso de posse, Garibaldi fez referência aos escândalos que envolveram a presidência de Renan Calheiros (PMDB-AL). "Devo tirar desses episódios lições que certamente serão valiosas para a presidência. A legitimidade do poder nasce e repousa na forma como se exerce o poder", afirmou. O novo presidente do Senado ainda convocou seus colegas para "participar da árdua missão de devolver ao Se nado toda a credibilidade frente ao país".
O senador citou nominalmente seus adversários pela presidência da Casa dentro do PMDB - Neuto De Conto (SC), Valter Pereira (MS), Leomar Quintanilha (TO) e Pedro Simon (RS) - e agradeceu ao senador José Sarney (AP) e ao presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), pela condução do processo dentro do partido. Garibaldi firmou compromisso com a carta de reivindicações encaminhada a ele pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). Entre outras coisas, o documento fala em reerguer a imagem da instituição e atuar com harmonia, mas independência em relação aos demais poderes, especialmente em relação ao Palácio do Planalto.
Sobre a relação com o governo e com a oposição, Garibaldi afirmou que "a presidência não será parte do debate partidário, mas um fermento que leve o Senado a estar presente nas discussões importantes para o País". Por fim, o senador agradeceu a seus conterrâneos convidou seus colegas a escrever uma "nova página" na história do Senado Federal.
Disputa interna
Garibaldi foi o escolhido também ontem como candidato à presidência da Casa pelo seu partido, em uma disputa interna que começou com outros quatro candidatos: Valter Pereira (MS) e Neuto de Conto (SC), Leomar Quintanilha (TO) e Pedro Simon (RS), mas na reta final Pereira, Conto e Quintanilha desistiram de concorrer.
O derrotado Pedro Simon disparou que a escolha de Garibaldi representa o "continuísmo". "Esse não é o meu PMDB. Esse é o PMDB do [José] Sarney, do Renan, do Jader [Barbalho]. E para a surpresa de todos, também é o PMDB do presidente Lula. O nome já estava escolhido, só faltava votar. Não fui escolhido porque não tive o apoio do governo", disse ele.
Ex-crítico de Lula
Apesar de hoje assumir uma postura de aliado do governo Lula, o senador peemedemista já foi um crítico do presidente em um passado recente. Seu nome, inclusive recebeu críticas de alguns governistas por sua postura "independente" quando foi relator da CPI dos Bingos.
O senador Garibaldi Alves Filho teve gastos da sua campanha de 2002 cobertos por um suposto esquema de desvio de recursos públicos investigado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte.
Segundo a denúncia de quatro promotores da Defesa do Patrimônio Público de Natal (RN), protocolada em 24 de novembro passado e acolhida pela Justiça, cerca de R$ 210 mil saíram dos cofres da Secretaria de Defesa Social, passaram por uma empresa de informática, a Microtec Sistemas, e acabaram nas contas bancárias de 17 pessoas que faziam parte ou foram contratadas pela empresa de marketing político Polis Propaganda e Publicidade.
Garibaldi considerou a denúncia "inócua" e disse que o Ministério Público constatou que ele não era ordenador de despesas. "Apenas fiz parte da chapa da campanha", disse. |
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Garibaldi Alves chegou a fazer declarações contra o presidente, apesar de não manifestar isso em seu relatório final. Logo ao ser indicado pela bancada do PMDB para disputar a presidência do Senado, no entanto, o senador avisou que não pretende fazer oposição ao Palácio do Planalto."Vou preservar a independência dos poderes, inclusive o Legislativo, recuperando sua credibilidade perante a nação", disse na ocaisão.
O senador disse que não acredita que o Planalto "guarde ressentimentos" da época em que foi relator da CPI e aproveitou para se declarar a favor da prorrogação da CPMF.
Currículo
Natural de Natal (RN), Garibaldi Alves é jornalista e bacharel em direito. Foi eleito deputado estadual por três mandatos seguidos, de 1971 a 1983. Foi prefeito de Natal de 1986 a 1988, senador pelo Rio Grande do Norte de 1991 a 1994 e governador do Rio Grande do Norte de 1995 a 2002.
Foi eleito novamente senador em 2002, com mandato até 2011. Foi relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em 2005 e é um defensor da transposição do rio São Francisco.
No Senado Federal, além de ter feito a relatoria das CPIs dos Bingos e do FGTS, atuou como representante nas comissões nacionais da seca e dos direitos humanos.

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