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20/12/2007 - 13h03
"Bandidos devem pedir resgate", diz filho de Portinari
Carolina Juliano
Em São Paulo
A explicação "mais razoável" para o furto das obras de Pablo Picasso e Candido Portinari do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na madrugada desta quinta-feira, é que elas tenham sido seqüestradas, segundo o professor João Candido Portinari, filho do pintor Candido Portinari e diretor do projeto que leva o nome do pintor.
"'O Lavrador de Café' é um quadro muito popular e nem no exterior poderia ser vendido", explica o professor. "A previsão mais razoável é a de um pedido de resgate."
O professor diz que foi com "muito pesar" que recebeu a notícia do furto do quadro de Portinari e de "O Retrato de Suzanne Bloch", de Pablo Picasso. "Estamos consternados. Imaginamos os danos que o quadro pode sofrer, o que aconteceu com ele no momento do furto, da desmontagem", diz. "Mudei até o meu pedido de Natal: quero que ele seja devolvido em condições para o Masp."
O professor conta que o quadro foi vendido pelo próprio Portinari para um colecionador chamado José Carlos Whitaker, na década de 30, que doou depois para o Masp. "É um dos pouquíssimos quadros de Portinari expostos ao público", diz.
O Projeto Portinari já catalogou pelo menos 5 mil obras do artista, mas cerca de 95% delas são de colecionadores particulares. "O acesso à obra desse nosso grande artista é muito limitado, por isso mesmo é que quando um desses quadros de museu é roubado, o valor da perda é inestimável."
João Candido explica que o fato de "O Lavrador de Café" nunca ter estado no mercado das artes e ter sido de apenas um colecionador faz com que seu valor em dinheiro seja mesmo inestimável. "Um bom técnico pode especular sobre um valor, de acordo com o tamanho da pintura, a data e o tema, mas o prejuízo maior é mesmo para o povo."

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