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20/12/2007 - 13h52
Curador do Masp lamenta furto e rejeita valor de mercado
Gabriela Sylos Em São Paulo
As duas obras furtadas hoje do Masp causaram "uma tristeza muito grande" ao curador do museu, José Teixeira Coelho. "Retrato de Suzanne Bloch" (1904) era um dos apenas quatro Picassos que o museu mantinha, enquanto "O Lavrador de Café" (1939), era um entre três de Portinari.
Coelho afirma que, apesar da tristeza, as obras eram tão valiosas quanto todas as outras do acervo. "Assim como os dois quadros levados, todos têm imenso valor na história da arte".
O curador ressalta que esses quadros não tem valor de mercado. "Tanto o quadro de Picasso quanto o de Portinari são tombados. Eles são invendáveis, simplesmente não dá para estimar um preço".
Coelho destaca que as obras são mundialmente conhecidas o que praticamente inviabiliza sua venda mesmo no exterior. Ele não quis comentar sobre a segurança do museu.
"Um horror"
Gilson Pedro, professor de história da arte, acredita que os assaltantes eram altamente especializados, já que há relação entre os quadros roubados. Segundo ele, Portinari bebeu na fonte do cubismo de Picasso e ambos eram conhecidos por suas obras politicamente engajadas.
Pedro destaca a importância de "O Retrato de Suzanne Bloch" na fase pré-cubista de Picasso e lembra que "O Lavrador de Café" é uma obra emblemática de Portinari por relacionar a arte à história e tradição brasileiras.
O professor acredita que as obras devem sair do país. "Para nós, que já temos poucas obras-primas, é um horror", lamenta.
Ouvido pelo UOL, o professor João Candido Portinari, filho de Candido Portinari e diretor do projeto que leva o nome do pintor, disse que a previsão "mais razoável" é de que os quadros tenham sido seqüestrados. "É muito difícil quadros tão populares e conhecidos seram vendidos até mesmo no exterior", disse. "O mais provável é que o Masp receba um pedido de resgate."

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