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27/12/2007 - 11h35
Após assassinato de Benazir Bhutto, líder da oposição convoca greve geral
Das agências internacionais Em Rawalpindi (Paquistão)
*Atualizado à 1h06 da sexta-feira, dia 28
Após a morte da ex-premiê Benazir Bhutto nesta quinta, o ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif convocou para amanhã (28/12) uma greve geral no país em protesto ao assassinato.
"Todos os paquistaneses estão chocados, mesmo sendo um comerciante ou um motorista ou uma pessoa normal. Quem aderir à greve estará demonstrando solidariedade para com o país", declarou durante uma coletiva de imprensa horas depois do ataque.
Sharif anunciou também que seu partido boicotará as eleições legislativas de janeiro e cobrou a renúncia do presidente do país, Pervez Musharraf.
"Eleições livres e justas são impossíveis com Musharraf", disse. Sharif, hoje líder da Liga Muçulmana do Paquistão-N (PML-N) acusou Musharraf de ter "planejado" a morte da ex-primeira-ministra. "Musharraf é a origem de todos os problemas", completou.
A morte de Bhutto
A ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto morreu nesta quinta-feira aos 54 anos a caminho do hospital Rawalpindi General após ser ferida por disparos a bala durante uma manifestação de que participava, ao lado de outros líderes da oposição, em Rawalpindi, cidade próxima a Islamabad (Paquistão).
De acordo com a polícia paquistanesa, um suicida disparou contra Bhutto quando a ex-premiê deixava o evento e preparava-se para entrar em uma caminhonete. De acordo com Rehman Malik, responsável pela segurança dela, tiros atingiram seu peito e seu pescoço. Em seguida, o suicida explodiu uma bomba, matando ao menos outras 16 pessoas das milhares que estavam presentes ao comício.
| HISTÓRICO DE BHUTTO |
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 A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto era a principal líder de oposição ao governo do país | 1979: ingressa na carreira política, após o golpe que resultou no fim do governo e na execução de seu pai, o ex-premiê e presidente Zulfikar Ali Bhutto |
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| 1988-90: é eleita premiê pela primeira vez, mas acaba deposta acusada por corrupção |
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| 1993-96: substituída por Nawaz Sharif, retorna ao cargo, mas novamente é mal-sucedida |
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| 1999: julgada, junto ao marido, por corrupção é condenada a cinco anos de prisão e a pagar multa de US$ 8,6 mi; exila-se |
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18/10/2007: após oito anos de auto-exílio, retorna ao Paquistão e sobrevive, no mesmo dia, a um atentado que mata 139 pessoas |
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| 27/12: candidata à presidência, morre em um novo atentado nesta quinta-feira |
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"Primeiro o homem atirou em Bhutto. Depois, ele se explodiu", disse o oficial de polícia Mohammad Shahid.
Rehman Malik reclamou da falta de assistência do governo à segurança de Bhutto. "Pedi repetidamente ao governo que nos ajudasse a garantir sua segurança, mas eles não nos atenderam, não nos deram os equipamentos que pedimos".
Em sua fala no comício desta quinta-feira, Bhutto deu a entender que era consciente do perigo que corria. "Coloco minha vida em risco para vir aqui porque sinto que este país está em perigo. As pessoas estão preocupadas. Vamos tirar o país desta crise".
Após a morte de Benazir, simpatizantes dela entoaram gritos de "Musharraf, cachorro", em referência ao presidente paquistanês. Outros destruíram a porta de vidro da entrada da unidade de emergência do hospital. Muitos choravam.
"É um ato daqueles que querem desintegrar o Paquistão porque ela era um símbolo da unidade. Eles são inimigos do Paquistão, afirmou Farzana Raja, integrante do partido de Bhutto.
Filha de uma abastada família de proprietários de terras, Bhutto foi primeira-ministra do Paquistão entre 1988 e 1996, tornando-se a primeira mulher a ser chefe de governo de uma nação islâmica. Seu pai, Zulfikar Ali Bhutto, foi o primeiro premiê eleito do país -ele acabou executado após um golpe militar em 1979.
Em 1996, deixou o governo sob acusações de corrupção. Apesar de negá-las e atribui-las a disputas políticas, em 1999 optou pelo auto-exílio no exterior. Após oito anos, Bhutto voltou ao país após uma aliança com o general Pervez Musharraf em 18 de outubro deste ano. No dia de seu retorno, mais de 140 pessoas morreram em um atentado que pretendia matá-la.
Reação O assassinato de Benazir Buttho teve repercussão imediata na comunidade internacional. O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir a onda de violência política no Paquistão.
"O Conselho de Segurança condena nos termos mais duros o ataque suicida dos extremistas", diz comunicado lido pelo representante italiano na ONU, Marcello Spatafora, que ostenta a presidência pró-tempore do Conselho este mês.
O Conselho de Segurança também "saúda a memória" de Bhutto e "pede a todos os paquistaneses que mostrem moderação e mantenham a estabilidade no país", diz a declaração.
Principal rival regional do Paquistão, o governo indiano declarou que o assassinato foi um "ato abominável". "Expressamos nosso choque e nosso horror diante de sua morte", disse o ministro adjunto das Relações Exteriores indiano, Anand Sharma.
EUA, Rússia, França, Espanha, China, Japão e o Vaticano também divulgaram mensagens condenando o atentado.
Horas após o anúncio da morte de Benazir, o presidente Musharraf convocou uma rede nacional para pedir calma à população para neutralizar o que chamou de "atos diabólicos" dos terroristas.
Crise política A morte da carismática ex-primeira-ministra aumenta a tensão no país, que terá eleições parlamentares em 8 de janeiro e enfrenta uma grave crise política há meses.
Em março, o general-presidente Pervez Musharraf suspendeu o juiz Chaudhry, presidente da Suprema Corte, acusando-o de abuso de poder. A atitude gerou revolta em grupos oposicionistas, que foram às ruas para protestar. Milhares de advogados organizam manifestações e são presos.
A instabilidade no país cresceu nos meses seguintes, e centenas de pessoas foram mortas em atentados suicidas promovidos por grupos radicais. Então, Musharraf negociou a volta de Benazir Bhutto, como uma maneira de tentar diminuir a tensão.
Inicialmente, a ex-premiê voltou como aliada do general. Entretanto, em novembro, Musharraf decretou estado de exceção no país após atentados, prendendo milhares de magistrados e advogados. Então, Bhutto rompeu a aliança e passou a fazer oposição a Musharraf, que em dezembro deixou o Exército para tentar configurar-se como um presidente civil e obter um segundo mandato.
O corpo da ex-primeira-ministra paquistanesa será enterrado no mausoléu da família, no cemitério de Garhi Khuda Bakhsh, perto de Larkana, no sul do Paquistão, nesta sexta-feira, informou um porta-voz. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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