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10/01/2008 - 22h09
Reféns das Farc são libertadas na Colômbia e levadas à Venezuela

Das agências internacionais
Em Caracas (Venezuela)

A ex-candidata à vice-presidência colombiana Clara Rojas, e a congressista Consuelo González de Perdomo foram libertadas nesta quinta-feira (10) pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

As reféns foram entregues à missão humanitária de resgate em uma região da selva colombiana.

De lá, foram levadas de helicóptero a Santo Domingo, na Venezuela, e embarcaram de avião rumo a Caracas, onde chegaram por volta das 19h. Clara e Consuelo reencontraram seus familiares e foram homenageadas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, mediador do acordo de libertação, em uma cerimônia no Palácio de Miraflores.

Reencontro emocionado
As ex-reféns se reencontraram com seus parentes no aeroporto de Maiquetía, próximo a Caracas, em meio a um clima de emoção e alegria.

Ambas as mulheres foram recebidas com flores e abraços por seus familiares, que os esperavam na rampa presidencial do aeroporto junto a diversos funcionários do governo.

Clara González de Rojas, mãe da ex-candidata à Vice-Presidência colombiana Clara Rojas, foi a primeira a abraçar sua filha. Já Consuelo González de Perdomo foi recebida por suas filhas, Patricia e María Fernanda Perdomo, e por sua neta.

Consuelo foi a primeira a descer do avião Falcon. A ex-congressista abraçou suas filhas e sua pequena neta, que a esperavam ao pé da rampa com flores brancas.

Em seguida apareceu Clara Rojas, que foi diretamente abraçar sua mãe, que a esperava um pouco mais afastada do avião.

Entre os funcionários que receberam as duas colombianas estavam o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, e a presidente da Assembléia Nacional Cilia Flores, assim como outras deputadas e ministros do Governo venezuelano.

Junto às duas ex-reféns chegaram a Maiquetía o ministro do Interior venezuelano e coordenador da missão de resgate, Ramón Rodríguez Chacín; a senadora colombiana Piedad Córdoba; o embaixador de Cuba na Venezuela, Germán Sánchez, e representantes da Cruz Vermelha Internacional.

Homenagem de Chávez
As duas ex-reféns colombianas, após reencontrar os parentes, foram diretamente à sede do governo para se reunir com Chávez.

Ele recebeu as ex-reféns nas escadas do Palácio, onde lhes foram rendidas honras especiais que incluíram a execução dos hinos de Colômbia e Venezuela por parte da banda da guarda de honra do palácio.

Durante o breve ato, Chávez segurou nos braços uma neta de González, e foi cercado por familiares das duas reféns libertadas.

Anteriormente, o presidente havia recebido com efusão Clara e Consuelo e também seus acompanhantes, com que conversou por alguns minutos aos pés da escada palaciana.

Ao fim da cerimônia de chegada, o grupo entrou no palácio, onde reuniu-se a portas fechadas durante meia hora. Depois, as ex-reféns foram levadas a um hotel. O retorno à Colômbia deve ser feito apenas na sexta-feira.

A libertação
Durante a tarde, o presidente venezuelano informou em entrevista no palácio presidencial que as duas seqüestradas haviam sido entregues pela guerrilha em uma região da selva colombiana.

Por meio de "uma mensagem direto do ponto" (ponto este que Chávez disse "desconhecer totalmente"), o ministro venezuelano do Interior, Ramón Rodríguez Chacín, relatou ao presidente, "visivelmente emocionado", que estava recebendo as duas seqüestradas.

Clara estava em poder das Farc desde 23 de fevereiro de 2002, e Consuelo estava retida desde 10 de setembro de 2001.

Tão logo manteve contato com o ministro, Chávez relatou que o fez também com as duas libertadas e com o responsável das Farc pela operação.

As duas mulheres receberam as equipes de resgate com com amplos sorrisos e longos abraços nos mediadores.

TVs mostraram as duas mulheres se despedindo dos seus sequestradores na selva e falando por telefone por satélite com Chávez, a quem agradeceram pela mediação.

"Por favor, presidente, não baixe a guarda. Os que ficam para trás querem que eu lhe diga que temos de continuar trabalhando", disse Consuelo, que carregava uma flor cor-de-rosa.

Clara estava mais magra e seu cabelo castanho lhe caá sobre o rosto. Tanto ela quanto a companheira pareciam cansadas e pálidas, mas bem de saúde.

Elas se despediram das guerrilheiras com beijos e apertaram as mãos dos homens, numa clareira aberta na região da cidade colombiana de San José del Guaviare.

Histórico
Hugo Chávez estava na negociação para libertar 46 reféns -incluindo Ingrid Betancourt- desde o ano passado, mas foi afastado do caso pelo presidente colombiano Álvaro Uribe. Ele acusou Chávez de tratar diretamente com militares colombianos sem sua autorização.

Entretanto, as Farc ofereceram devolver ao presidente venezuelano as duas mulheres e o filho de Rojas, Emmanuel (fruto de uma relação consentida entre Rojas e um guerrilheiro das Farc), no final do ano passado.

A devolução não foi feita, e o presidente Álvaro Uribe acusou a guerrilha de ter voltado atrás porque eles não estariam com o pequeno Emmanuel. O menino, mais tarde identificado por exames de DNA, estava em Bogotá há mais de dois anos.

Com as novas coordenadas que Chávez anunciou esta semana ter recebido das Farc, Álvaro Uribe foi obrigado a abrir o espaço aéreo colombiano para a missão de resgate venezuelana.

Os parentes das reféns, em cativeiro havia mais de seis anos, chegaram a Caracas no dia 27 de dezembro, quando ainda tinham esperanças de que o resgate pudesse ocorrer antes do Ano Novo.

A libertação de hoje é o mais importante caso solucionado dentro do conflito colombiano desde 2001, quando as Farc libertaram cerca de 300 soldados e policiais que haviam sido raptados.

O presidente venezuelano diz esperar que a libertação de hoje abra o caminho para a pacificação na Colômbia. "O mundo quer a paz da Colômbia", disse Chávez.

Relutantemente, os EUA admitiram o papel positivo da mediação de Chávez, mas deixaram claro que não pretendem pedir ajuda dele para libertar três reféns norte-americanos das Farc.


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