UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA

Selo
Selo
ARQUIVOS

 

10/01/2008 - 17h17
Vai-Vai nega interdição de quadra; morador diz que medida não resolve nada

Vicente Toledo Jr.
Da redação

A interdição da quadra da escola de samba Vai-Vai, uma das mais tradicionais do carnaval paulista, não passou de um mal entendido. Esta é a versão do presidente da agremiação, Edimar Tobias da Silva, o Thobias da Vai-Vai, que considera o caso resolvido. A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, responsável pelo Psiu (Programa de Silêncio Urbano), não confirma a informação.

Folha Imagem
Sede da Vai-Vai em pleno funcionamento durante a tarde da última quarta-feira
SEDE ESCAPA DE FECHAMENTO
ENSAIOS NA RUA ESTÃO MANTIDOS
"No ensaio do último domingo houve uma denúncia de que nós estaríamos ultrapassando o horário. Aí foi um fiscal do Psiu lá e interditou a nossa quadra. Mas eu já levei o acordo que assinamos com a Prefeitura e o Ministério Público lá no Psiu e foi tudo resolvido", afirmou Thobias, citando um Termo de Ajustamento de Conduta que permite à escola continuar realizando seus ensaios nas cercanias sua quadra, localizada na rua São Vicente, na Bela Vista (região central da capital paulista).

Segundo ele, o acordo prevê que os ensaios serão realizados às quintas, das 18h às 21h30, e aos domingos, das 16h às 21h30, mas não trata da questão do barulho, que mais incomoda a vizinhança. "Não fala disso porque não tem como fazer ensaio de escola de samba sem barulho. Se alguém souber como, por favor me avise", disse Thobias.

Procurada pela reportagem do UOL, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, o fechamento administrativo da quadra da Vai-Vai. Isso significa que a escola não pode realizar nenhum evento no local, embora tenha permissão para entrar na sede e retirar instrumentos, equipamentos e fantasias necessários para suas atividades.

A interdição da quadra, entretanto, não impede a realização dos ensaios nas áreas externas, desde que dentro dos termos do acordo firmado entre escola, Prefeitura e Ministério Público. Assim sendo, o ensaio previsto para esta noite está confirmado.

"Meu advogado está indo lá no Psiu pegar um documento oficial para deixarmos fixado lá hoje e mostrarmos que está tudo certo", declarou o sambista, para quem o imbróglio não vai atrapalhar a preparação da Vai-Vai para o Carnaval. "Por causa da confusão, as pessoas podem achar que não vai ter ensaio e não irem. Mas vai ter ensaio, sim. Vamos acabar com a cerveja lá hoje", completou.

Vizinhos continuam insatisfeitos
Um dos líderes do movimento de moradores contrários à realização dos ensaios nas ruas do bairro, o publicitário Marcelo Vitorino não se surpreendeu com a interdição da quadra da Vai-Vai, mas também não comemorou. "Como eles já tinham levado duas multas, o Psiu não tinha alternativa. Na terceira, era obrigado a lacrar a quadra. Ele fez o papel dele, agora a Prefeitura tem que proibir o evento", disse o vizinho, que até criou um blog para tornar pública a sua insatisfação.

Folha Imagem
"É gente chata, mal-amada, que não gosta de samba. A maioria está com a gente"
BATE-PAPO COM THOBIAS DA VAI-VAI
"Interditar a quadra não adianta nada porque o ensaio vai ser na rua. Mas a lei de zoneamento não mudou, ela continua proibindo o evento. Só o que vai ficar bem evidente é a cobrança de ingresso em via pública, isso não vai ter como eles enganarem mais porque antes eles faziam a cobrança de forma velada dentro da quadra", disse o publicitário, que está de mudança. "Vou mudar por outras motivos, mas vai ser um alívio. Ofereci meu apartamento para o Thobias comprar, mas ele não quis. Acho que é por causa do barulho", ironizou.

Depois de quase um ano morando no bairro, em um prédio na Rua Rocha, José Rubens Domingues Filho decidiu se mudar. "Teria o maior prazer em morar lá, mas não dá. Foi um martírio, é um barulho insalubre. E o problema não é só o barulho, é o abuso, o uso inadequado da rua", contou o ex-morador, que é presidente da Juventude PSDB na capital paulista.

"Eles não respeitam sinalização de trânsito, os carros param em local proibido e fecham o acesso dos moradores à rua. A PM também tem muito problema. Tem briga, excesso de bebida, garrafas quebradas, como em qualquer festa com muita gente. E na segunda-feira é uma sujeira enorme, eles não limpam nada. Está certo que é obrigação de prefeitura limpar, mas isso tem um custo para a cidade", explicou.

"São três ou quatro chatos"
Para Thobias da Vai-Vai, essas reclamações não representam o pensamento da maioria dos moradores da região. "Foi um morador chato que começou com essa história e conseguiu inflamar mais três ou quatro. Eles não têm um movimento organizado, abaixo-assinado, essas coisas. Não são mil pessoas reclamando. É uma gente chata, mal-amada, que não gosta de samba. A maioria está com a gente", afirmou.

Os moradores ouvidos pelo UOL discordam. "Eu cansei de trabalhar para ajudar carnaval e tenho namorada, portanto, gosto de samba e não sou mal amado", rebateu Domingues. "Sou jovem, gosto de balada, organizo festas, inclusive de carnaval, mas era simplesmente impossível ficar em casa quando estava tendo ensaio da Vai-Vai. A TV ficava no máximo e ainda assim não dava para ouvir. Falar ao telefone, então, nem pensar", emendou.

"Tanto que, às vezes, durante a semana, eles abrem a quadra para fazer uma feijoada, uma festinha, e ficam até tarde ouvindo música, dançando. Eu ouvia o barulho, mas era uma coisa aceitável, e ninguém reclamava. Agora, no ensaio eles põem a bateria na rua e ligam o amplificador. Dá para ouvir até da Lua aquele negócio", diz ex-vizinho.
A QUADRA NÃO É PROBLEMA
Segundo Vitorino, a maioria dos freqüentadores dos ensaios não vive no bairro, por isso não se importa com o problema. Já os trabalhadores da região, que têm o domingo como seu único dia de descanso, sofrem com o barulho, mas não reclamam porque têm medo de represálias. O próprio publicitário diz já ter recebido ameaças, razão pela qual evita receber correspondências em casa. "Elas só pararam quando eu registrei uma queixa na polícia contra a escola. Será que foi coincidência?", ponderou.

Domingues alega que, no início, os moradores tentaram negociar um acordo. "Sugerimos que eles fizessem os ensaios das 11h às 16h, não teria problema. Mas eles não aceitaram porque o público ia ser fraco. Eles não querem fazer ensaio, querem fazer festa para arrecadar dinheiro", explicou.

"Eu também presido uma entidade, que tem uma missão diferente, é política, mas também precisa levantar dinheiro para seus projetos. Eu gostaria muito de fechar a minha rua, cobrar ingresso e vender cerveja. Mas não posso fazer isso porque é contra a lei. Eles têm todo o direito de levantar recursos para o samba, mas não dessa forma", completou Domingues.

Vai-Vai negocia solução definitiva
Fundada há mais de 70 anos, a Vai-Vai realiza seus ensaios nas ruas do Bixiga há pelo menos 35 anos, mas o presidente Thobias reconhece que o local não é o ideal. "A gente tem uma sede social, uma quadra, onde fazemos nossos trabalhos sociais, organizamos nossas feijoadas, festas da comunidade. Mas a área é muito pequena para uma escola do tamanho da Vai-Vai, não cabe todo mundo lá dentro", explicou.

Por isso, Thobias negocia com a Prefeitura a cessão de uma área onde a escola possa realizar seus ensaios "mais pesados", deixando a quadra para outros eventos e projetos. Medida que, teoricamente, agrada os moradores insatisfeitos.

"A quadra não é o problema. Tanto que, às vezes, durante a semana, eles abrem a quadra para fazer uma feijoada, uma festinha, e ficam até tarde ouvindo música, dançando. Eu ouvia o barulho, mas era uma coisa aceitável, e ninguém reclamava. Agora, no ensaio eles põem a bateria na rua e ligam o amplificador. Dá para ouvir até da Lua aquele negócio", disse Domingues.


Folha Online
Coritiba faz 1 a 0 no São Paulo; acompanhe os jogos da rodada
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Mesmo sem apoio, presidente deposto diz que volta ao país
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA