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10/01/2008 - 21h59
Clara diz que quer encontrar o filho imediatamente

Das Agências Internacionais

Recém libertada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a política Clara Rojas disse que deseja encontrar seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, o mais rápido possível. "Desejo encontrar Emmanuel imediatamente", disse Clara, que passou quase seis anos em poder dos guerrilheiros.

Emmanuel nasceu em cativeiro, e foi entregue pelas Farc aos cuidados de um homem que, por sua vez, o entregou a um organismo de assistência social. Clara disse que só ficou sabendo há alguns dias que Emmanuel está sob proteção do governo colombiano.

AFP
Clara Rojas logo após a libertação
REFÉNS DAS FARC SÃO LIBERTADAS
A ex-candidata à vice-presidência revelou que seu filho nasceu em um acampamento no meio da selva em 16 de abril de 2004, numa difícil cesariana realizada por um enfermeiro da guerrilha e na qual a criança sofreu uma fratura em um dos braços.

"Na verdade a primeira surpreendida fui eu, tanto que reagi e disse: quarta-feira não será o que me disseram. Eles me diziam que (Emmanuel) estava bem, para que eu não me preocupasse, mas eu não tinha notícia da criança", disse Rojas à Caracol Radio em Caracas.

"Desde o primeiro momento eu pedi que eles o entregassem à minha mãe através da Cruz Vermelha Internacional, e escrevi várias cartas ao comandante Manuel Marulanda, aos membros do secretariado", acrescentou.

O filho de Rojas foi entregue pelas Farc a um camponês do povoado de El Retorno, no departamento de Guaviare, para que fosse cuidado.

Mas, devido aos problemas de saúde da criança, o camponês a levou a um hospital onde os médicos, devido ao estado de abandono e desnutrição que apresentava, decidiram deixá-lo aos cuidados de uma instituição governamental de proteção infantil, que assumiu a custódia de Emmanuel em 2005 sem o conhecimento da guerrilha.

Rojas, com um bom aspecto frente às câmeras de televisão, disse que seu filho seguirá chamando-se Emmanuel, apesar de atualmente estar registrado como Juan David.

A política, sequestrada pelas Farc em fevereiro de 2002, não revelou detalhes sobre o pai da criança e disse que não tem nenhuma notícia dele.

Ela revelou que após o parto teve de permanecer 40 dias imobilizada em uma cama, enquanto uma guerrilheira cuidava de seu filho.

Rojas disse que se separou da criança quando ela tinha 8 meses, devido às condições adversas registradas no meio da selva e pelas dificuldades criadas pelas operações militares.

"Era o mais pequenino, o mais lindo, o que mais me impactou foi seu sorriso e também seu choro", disse antes de revelar que logo após o nascimento não teve leite para amamentar o bebê.

A agora ex-refém também disse que agora se dedicará a cuidar da saúde de seu filho e de reorganizar sua vida pessoal e familiar.

Em discurso na noite desta quinta-feira, o presidente da Colômbia Álvaro Uribe disse que falou com as duas reféns libertadas e contou que "Rojas perguntou por Emmanuel com a angústia de mãe".

O presidente prometeu que o órgão de assistência que cuida do menino vai tomar as providências para que ele seja devolvido à sua mãe.

Ele também elogiou "a integridade, capacidade de controle e maneira tranqüila como as duas responderam a essa experiência tão difícil".


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