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19/02/2008 - 09h54
Autoridades mundiais comentam renúncia de Fidel Castro

Das agências internacionais

Autoridades mundiais comentam nesta terça-feira (19) a renúncia de Fidel Castro à presidência de Cuba.

O presidente norte-americano, George W. Bush, disse que "esse deve ser o começo de uma transição democrática para o povo de Cuba", durante entrevista coletiva na capital de Ruanda, Kigali.

Bush também disse esperar que o país possa em breve ter "eleições livres e justas, não o tipo de eleição organizada pelos irmãos Castro", além de pedir a libertação dos presos políticos mantidos pelo regime cubano. "São pessoas que foram colocadas na prisão porque ousaram falar o que pensam."

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Ele afirmou ainda que "os Estados Unidos vão ajudar o povo de Cuba a conseguir sua liberdade".

A China saudou o 'dirigente revolucionário e velho amigo' Fidel Castro, e manifestou o desejo de que ambos os países comunistas mantenham as boas relações.

"O presidente Castro é um dirigente revolucionário profundamente amado pelo povo cubano e também um velho amigo do povo chinês", indica o ministério chinês das Relações Exteriores em um comunicado. "China e Cuba são países amigos; a China continuará consolidando e desenvolvendo suas relações de cooperação amistosa", acrescenta o texto.

Europa
O secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet, disse hoje, após o anúncio da renúncia de Fidel Castro, que "espera que o país siga pelo caminho da democracia". Segundo Jouyet, Castro "não entendeu as evoluções do mundo nos anos 70 e 80".

Ainda assim, o secretário de Estado francês reservou alguns elogios ao líder cubano, ao afirmar que "garantiu uma certa independência frente à forte presença dos Estados Unidos na região".

O secretário de Estado de Exteriores da Itália para a América Latina, Donato Di Santo, pediu hoje para as autoridades cubanas iniciarem "uma transição democrática" no país, após a renúncia de Fidel. Ele qualificou a decisão do líder cubano como um gesto "importante, nobre e esperado, tanto dentro como fora da Ilha".

Segundo um porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, "há agora uma oportunidade para fazer progressos para uma transição pacífica e uma democracia pluralista em Cuba", mas "estes são assuntos que competem à população cubana."

O Reino Unido, continuou o porta-voz, sempre apoiou uma transição pacífica para a democracia em Cuba, assim como um maior respeito aos direitos humanos e à libertação incondicional de todos os presos políticos.

Em entrevista à rádio nacional espanhola, o alto-representante da União Européia para Política Externa, o espanhol Javier Solana, disse esperar que a renúncia de Fidel leve Cuba a um processo de transição que seja "pacífico e rápido, com conseqüências positivas para a ilha".

Já a secretária espanhola para assuntos latino-americanos, Trinidad Jiménez, declarou que a renúncia de Fidel deve reforçar a capacidade de seu irmão, Raúl Castro - que ocupa interinamente o poder desde julho de 2006 - de implementar um "projeto de reformas em Cuba".

"Agora Raúl Castro poderá assumir com mais capacidade, solidez e confiança este projeto de reformas, do qual, insisto, ele mesmo comentou", afirmou a secretária à rádio espanhola. "Creio que isto poderia começar a se materializar."

Parlamento Europeu
O presidente do Parlamento Europeu, o democrata-cristão alemão Hans-Gert Pöttering, manifestou hoje sua esperança de que a renúncia de Fidel Castro à Presidência de Cuba traga "mais liberdade" ao povo cubano. "Tomara que haja uma evolução democrática" na ilha, acrescentou o presidente da Eurocâmara.

O presidente do Grupo Socialista no Parlamento Europeu, Martin Schulz, considerou hoje que a renúncia de Fidel propicia uma renovação no país e o aumento do diálogo com a União Européia.

"Visitei Cuba há poucos dias, e a renúncia era esperada. Sob meu ponto de vista, é o sinal de que há uma mudança, e abre uma porta para a renovação no país", disse Schulz, em entrevista coletiva.

O parlamentar afirmou que, apesar da renúncia, a influência de Fidel Castro se manterá, assim como a de seu irmão Raúl, que já exerce o poder de forma interina desde julho de 2006.


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