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19/02/2008 - 13h25
Lula afirma que já esperava renúncia do "único mito vivo da humanidade"

Da Redação
Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (19), em visita ao gasoduto Cabiúnas-Vitória na cidade de Serra (ES), que já havia notado uma certa movimentação política em Cuba, na última vez que foi visitar Fidel Castro, chamado pelo presidente de "o único mito vivo da história da humanidade."

"Eu senti que Fidel estava analisando a situação política e querendo criar as condições para que a renúncia ocorresse. Raúl Castro é preparado, foi comandante das Forças Armadas e tem uma visão de mundo importante. Inclusive, vou reiterar o convite feito para que ele visite logo o Brasil", contou Lula.

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Para o presidente brasileiro, o mais importante é que a transição política se dê de maneira tranqüila. O fato de Fidel ter tomado a iniciativa foi um fator fundamental para a manutenção da estabilidade na ilha, segundo Lula. "Se a troca de poder acontecesse de outra maneira, os cubanos de Miami poderiam achar que era hora de voltar a Cuba e transformar o país em território de conflito", afirmou.

Lula relembrou momentos de sua amizade com Fidel, como a visita feita pelo agora ex-presidente da ilha ao então candidato derrotado das eleições de 89, elogiou o povo cubano e chegou a fazer uma comparação do país com a Bahia. "Cuba é como Salvador. Tenho profundo respeito pelo povo cubano. Acho que é o mais politizado do mundo", elogiou.

O presidente esquivou-se de tecer comentários sobre a democracia cubana. Limitou-se a dizer que "cada povo que decida seu sistema político". Além disso se proclamou "amante da Revolução Cubana, como todos os homens da sua geração" e disse que irá continuar com os projetos feitos em conjunto com a ilha.


Repercussão internacional

Autoridades mundiais comentaram a renúncia de Fidel Castro presidência de Cuba.

O presidente norte-americano, George W. Bush, disse que "esse deve ser o começo de uma transição democrática para o povo de Cuba", durante entrevista coletiva na capital de Ruanda, Kigali.

Bush também disse esperar que o país possa em breve ter "eleições livres e justas, não o tipo de eleição organizada pelos irmãos Castro", além de pedir a libertação dos presos políticos mantidos pelo regime cubano. "São pessoas que foram colocadas na prisão porque ousaram falar o que pensam."

Ele afirmou ainda que "os Estados Unidos vão ajudar o povo de Cuba a conseguir sua liberdade".

A China saudou o 'dirigente revolucionário e velho amigo' Fidel Castro, e manifestou o desejo de que ambos os países comunistas mantenham as boas relações.

"O presidente Castro é um dirigente revolucionário profundamente amado pelo povo cubano e também um velho amigo do povo chinês", indica o ministério chinês das Relações Exteriores em um comunicado. "China e Cuba são países amigos; a China continuará consolidando e desenvolvendo suas relações de cooperação amistosa", acrescenta o texto.

Europa
O secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet, disse hoje, após o anúncio da renúncia de Fidel Castro, que "espera que o país siga pelo caminho da democracia". Segundo Jouyet, Castro "não entendeu as evoluções do mundo nos anos 70 e 80".

Ainda assim, o secretário de Estado francês reservou alguns elogios ao líder cubano, ao afirmar que "garantiu uma certa independência frente à forte presença dos Estados Unidos na região".

O secretário de Estado de Exteriores da Itália para a América Latina, Donato Di Santo, pediu hoje para as autoridades cubanas iniciarem "uma transição democrática" no país, após a renúncia de Fidel. Ele qualificou a decisão do líder cubano como um gesto "importante, nobre e esperado, tanto dentro como fora da Ilha".

Segundo um porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, "há agora uma oportunidade para fazer progressos para uma transição pacífica e uma democracia pluralista em Cuba", mas "estes são assuntos que competem à população cubana."

O Reino Unido, continuou o porta-voz, sempre apoiou uma transição pacífica para a democracia em Cuba, assim como um maior respeito aos direitos humanos e à libertação incondicional de todos os presos políticos.

Em entrevista à rádio nacional espanhola, o alto-representante da União Européia para Política Externa, o espanhol Javier Solana, disse esperar que a renúncia de Fidel leve Cuba a um processo de transição que seja "pacífico e rápido, com conseqüências positivas para a ilha".

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, disse que o Governo da Espanha acompanhará, ajudará e fará "tudo o possível" para que o futuro de Cuba seja "o melhor possível para todos os cubanos" .

Como Lula, Moratinos disse não estar "surpreso" com o anúncio, e afirmou que a decisão é "importante" e abre "um momento diferente" no país.

Já a secretária espanhola para assuntos latino-americanos, Trinidad Jiménez, declarou que a renúncia de Fidel deve reforçar a capacidade de seu irmão, Raúl Castro - que ocupa interinamente o poder desde julho de 2006 - de implementar um "projeto de reformas em Cuba".

"Agora Raúl Castro poderá assumir com mais capacidade, solidez e confiança este projeto de reformas", afirmou a secretária à rádio espanhola. "Creio que isto poderia começar a se materializar."

O líder dos comunistas russos, Gennady Ziuganov, disse que, apesar de sua renúncia, Fidel Castro continuará sendo o "líder nacional da Ilha da Liberdade", como Cuba era chamado na União Soviética.

Parlamento Europeu
O presidente do Parlamento Europeu, o democrata-cristão alemão Hans-Gert Pöttering, manifestou hoje sua esperança de que a renúncia de Fidel Castro à Presidência de Cuba traga "mais liberdade" ao povo cubano. "Tomara que haja uma evolução democrática" na ilha, acrescentou o presidente da Eurocâmara.

O presidente do Grupo Socialista no Parlamento Europeu, Martin Schulz, considerou hoje que a renúncia de Fidel propicia uma renovação no país e o aumento do diálogo com a União Européia.

"Visitei Cuba há poucos dias, e a renúncia era esperada. Sob meu ponto de vista, é o sinal de que há uma mudança, e abre uma porta para a renovação no país", disse Schulz, em entrevista coletiva.

O parlamentar afirmou que, apesar da renúncia, a influência de Fidel Castro se manterá, assim como a de seu irmão Raúl, que já exerce o poder de forma interina desde julho de 2006.

América Latina
O primeiro-ministro peruano, Jorge del Castillo, afirmou que, após o fim dos quase 50 anos de poder de Fidel Castro em Cuba, "é preciso fazer votos para que o processo de transferência de poder seja pacífico" e que "se oriente à vida democrática".

Em entrevista à emissora "Radio Programas de Perú" ("RPP"), ele afirmou que o processo de transição em Cuba deve ocorrer "em um marco de diálogo de integração" e "sem precipitações que possam originar fatos mais violentos os quais ninguém deseja".

Com agências internacionais


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