19/02/2008 - 18h38 Falta de acesso ao mercado dos EUA ainda é barreira para Cuba, diz Dirceu
Da Redação
Depois de mais de 46 anos no comando de Cuba, Fidel Castro anunciou sua renúncia nesta segunda-feira. Na opinião do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, a ilha "tem hoje as condições para um desenvolvimento sustentável". O problema, na opinião do ex-ministro, que esteve com Fidel pela última vez em 2006, é o embargo norte-americano.
"Cuba ainda depende muito do fim do bloqueio da impossibilidade de ter acesso ao mercado dos EUA", disse ele em entrevista ao UOL News. "É o principal problema do país há mais de 40 anos."
Apesar da dificuldade, Dirceu acredita que a ilha de regime socialista terá uma abertura maior daqui para frente. "Há, por parte da administração de Cuba, a declaração de que, tirando os setores de saúde, educação e defesa nacional, haverá uma abertura para investimentos externos, cooperação e para a formação de joint-ventures", afirmou.
Segundo Dirceu, Fidel continuará sendo tendo um papel "muito importante" na vida da ilha, "não só pelo exemplo dele, mas pela liderança, pela popularidade e por sua história, que se confunde com a história do povo cubano". "O povo cubano sempre lutou por sua independência e soberania - e Fidel encarna a independência de Cuba, com a Revolução de 1959."
Para o ex-ministro da Casa Civil, a saída do "comandante" deixa como legado um país mais desenvolvido que outros da região. "Para os padrões da América Latina, Cuba é um dos países com alto nível de desenvolvimento social e cultural, o que é uma grande conquista da Revolução."
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