PARIS (Reuters) - O alto líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) morto por forças da Colômbia era o contato da França nas negociações para tentar a libertação da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, disse o ministro francês de Relações Exteriores, Bernard Kouchner.
"É uma má notícia que o homem com que estávamos conversando, com quem nós tínhamos contato, tenha sido morto", disse Kouchner à rádio França Internacional. "Você vê como o mundo é mau?"
O Exército da Colômbia disse no sábado que tropas do país mataram Raúl Reyes, considerado por especialistas o número dois das Farc, numa das maiores perdas impostas à mais antiga guerrilha da América Latina.
A morte de Reyes aconteceu dias após ex-reféns das Farc terem dito que Betancourt recebia maus tratos e era mantida acorrentada, apesar de estar gravemente doente e mentalmente exausta.
Betancourt, ex-candidata à Presidência da Colômbia, também possui nacionalidade francesa. Ela é mantida refém na selva colombiana há seis anos, e sua libertação tornou-se uma importante questão política na França.
"Precisamos redobrar nossos esforços para falar sobre Ingrid Betancourt", disse Kouchner, acrescentado que ela está em "emergência médica".
A morte de Reyes, que aconteceu durante uma operação realizada além da fronteira colombiana com o Equador, enfureceu os presidentes de Equador e Venezuela.
Em Genebra, o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, pediu ajuda internacional ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas para ajudar a libertar centenas de pessoas mantidas como reféns pelas Farc.
(Reportagem de Crispian Balmer e Jonathan Lynn)
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