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04/03/2008 - 11h30
Vizinhos sul-americanos desaprovam ação da Colômbia no Equador e esperam solução pacífica

da Redação

De ponta a ponta na América do Sul, ecoam críticas oficiais e de autoridades à ação da Colômbia no Equador.

O ministro brasileiro Celso Amorim (Relações Exteriores) condenou a incursão das tropas colombianas em território equatoriano e propôs a criação de uma comissão de investigação. Ele disse que o governo colombiano deve um pedido de desculpas mais explícito ao Equador. Amorim também sugeriu que o secretário da OEA, José Miguel Insulza, viaje à Colômbia e ao Equador.

"Não há dúvida sobre o fato de que uma violação de território é algo condenável. Trata-se de uma infração que de certa forma coloca em situação de insegurança todos os países da região, principalmente os menores", afirmou Amorim.

"Pode haver circunstâncias atenuantes para a violação, como a alegação de legítima defesa, mas a obrigação de fornecer provas é do país que cometeu a infração", acrescentou.

Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência para os assuntos internacionais, declarou que "as diplomacias do Brasil e de outras capitais sul-americanas estão mobilizando suas forças para reduzir ao máximo a tensão".

Amorim confirmou que o Brasil está trabalhando para encontrar uma solução para a crise, e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta segunda-feira com os presidentes Rafael Correa e Alvaro Uribe.

Rompimento de relações
O governo do Equador enviou ontem (04) uma carta a Bogotá na qual informa o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia. "Diante de uma sucessão de fatos inamistosos e de acordo com o estabelecido pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas em 1961, o governo do Equador decidiu romper relações diplomáticas com o governo da Colômbia, a partir desta data", informa uma carta de Quito entregue à agência AFP em Bogotá.

No comunicado, o governo de Quito "rejeita energicamente" a acusação formulada pelo diretor da polícia colombiana, general Oscar Naranjo, sobre supostos vínculos do governo de Rafael Correa com a guerrilha das Farc.

A decisão foi tomada após Bogotá ter informado que "as revelações sobre acordos entre o grupo terrorista das Farc e os governos de Equador e Venezuela serão transmitidas à OEA e à ONU".

Segundo Bogotá, a existência desses acordos seria comprovada por documentos e fotografias encontradas no acampamento onde Raúl Reyes morreu no sábado, em pleno território equatoriano, a 1,8 km da fronteira com a Colômbia.

O ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, afirmou que seu país não responderá, por enquanto, à escalada militar na fronteira, e qualificou de "preocupante" as informações encontradas nos computadores apreendidos durante a operação militar.

Manuel Santos mencionou especificamente contatos entre Reyes e o ministro equatoriano Gustavo Larrea, que comprovam "uma conivência, um tipo de associação entre a guerrilha e o governo do Equador".

Seu colega equatoriano, Wellington Sandoval, qualificou de absurda a denúncia de Santos. "Não tivemos, não temos e não teremos nenhum tipo de vínculo com as Farc", afirmou o ministro ao final de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional (Cosena) convocada pelo presidente Rafael Correa em Quito.

Sobre a Venezuela, o diretor da polícia colombiana, general Oscar Naranjo, revelou em entrevista coletiva que um dos documentos apreendidos comprova que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, entregou US$ 300 milhões às Farc.

"Este documento mostra uma proximidade e evidencia a existência de uma aliança armada entre as Farc e o governo venezuelano. Além disso, a nota inclui detalhes sobre o envio de droga ao México", acrescentou.

Naranjo também revelou que outra informação encontrada no computador, segundo a qual as Farc teriam comprado 50 kg de urânio, está sendo investigada.

Diplomatas expulsos
Também na segunda-feira, a Venezuela determinou a expulsão imediata do embaixador da Colômbia em Caracas.

"O governo da República Bolivariana da Venezuela, em defesa da soberania da pátria e da dignidade do povo venezuelano, decidiu ordenar a expulsão imediata do território nacional, do embaixador da República da Colômbia na Venezuela e do pessoal diplomático da embaixada colombiana em Caracas", disse a chancelaria.

Apesar da tensão, os três pontos de passagem na fronteira entre Colômbia e Venezuela mantinham sua atividade normal. O mesmo ocorria na ponte de Rumichacha, que une o departamento colombiano de Nariño à província equatoriana de Carchi, segundo correspondentes de rádio locais.

Em Bogotá, o governo colombiano reuniu 82 embaixadores e chefes de delegações para informá-los sobre a operação área do último sábado no Equador, que culminou com a morte do "número dois" das Farc, Raúl Reyes.

Entre os presentes, esteve o embaixador dos Estados Unidos, William Brownfield, mas não os do Equador, Francisco Suéscum, e da Venezuela, Pável Rondón.

Violação de soberania
A Argentina lamentou "a evidente violação da soberania" equatoriana, e a presidente chilena, Michelle Bachelet, considerou que "a Colômbia deve uma explicação ao Equador e a todos os países da América Latina.

Em Genebra, durante uma sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, o vice-presidente colombiano, Francisco Santos, pediu a seus vizinhos que cumpram a resolução 1373 do Conselho de Segurança, que proíbe os países de "dar refúgio a pessoas que financiam, planejam ou cometem ações terroristas".

Fidel
O ex-presidente cubano Fidel Castro culpou os Estados Unidos pelo fato de que se escutam "com força" as trombetas da guerra" na Colômbia, na Venezuela e no Equador. Hoje, Fidel defendeu o Equador e acusou os Estados Unidos de cometer um "monstruoso crime".

*com as agências internacionais


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