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04/03/2008 - 18h28
Na OEA, Venezuela diz que Colômbia promoveu uma "ação belicista e genocida"; representante colombiano reitera desculpas

Da Redação
Com agências internacionais

Atualizado às 21h58

A Venezuela disse que a Colômbia promoveu uma "ação belicista e genocida" ao atacar um acampamento guerrilheiro em território equatoriano. Segundo o embaixador venezuelano, Jorge Valero, "o governo de Bogotá mente de forma descarada", depois de acusações formuladas minutos antes pelo representante colombiano na OEA.

Em um inflamado discurso no Conselho Permanente, o representante colombiano, Camilo Ospina, reiterou as desculpas de seu governo pelo ataque que terminou com a vida de Raúl Reyes, em território equatoriano, mas quis também uma "explicação ao povo colombiano" por parte dos governos do Equador e da Venezuela. "Que não haja a menor dúvida de que os governos da Venezuela e Equador vêm negociando com terroristas e narcotraficantes", disse Ospina.

A sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA entrou em recesso nesta terça-feira por falta de acordo sobre uma resolução para a crise diplomática entre Equador e Colômbia. A organização iniciou no final da tarde uma sessão extraordinária de seu Conselho Permanente a pedido do Equador, para abordar a crise diplomática com a Colômbia pela incursão militar em território equatoriano que terminou na morte do número dois da guerrilha das Farc. A única proposta de resolução que circulou foi apresentada pelo Equador e rejeitada pela Colômbia.

Stringer/Reuters
Presidente colombiano (à dir) é cercado por jornalistas em meio à crise diplomática
O Equador pediu à OEA que "convoque urgentemente uma reunião de consulta de ministros das Relações Exteriores" até o dia 11 de março, o mais tardar, para analisar a crise gerada por uma operação militar colombiana no território equatoriano durante o final de semana passado.

A Colômbia apoiou a convocação, mas rejeita os outros dois pontos contidos no projeto de resolução equatoriano. O Equador também pediu à OEA que "se condene a violação ao território e a soberania de um Estado perpetrada por outro Estado", e solicitou que o Conselho Permanente da OEA "designe uma comissão de investigação que verifique os fatos", segundo palavras da chanceler equatoriana, María Salvador.

A maioria dos países que fizeram uso da palavra durante a primeira parte da sessão do Conselho Permanente denunciou o incidente como uma violação da soberania equatoriana.

Também na OEA, o Equador acusou a Colômbia de ter realizado uma "violação planejada e premeditada" de sua soberania, acrescentando que o presidente colombiano Álvaro Uribe mentiu na versão que apresentou dos fatos que levaram à morte um líder guerrilheiro colombiano em território equatoriano.

Já os Estados Unidos reafirmaram seu "completo apoio" ao governo da Colômbia, durante a sessão da OEA. Washington "apóia completamente os esforços do governo da Colômbia e do presidente (Álvaro) Uribe", disse Robert Manzanares, embaixador americano junto à organização. Uribe recebeu nesta terça o apoio dos Estados Unidos em telefonema do presidente George W. Bush.

Segundo Manzanares, os Estados Unidos apóiam a realização da reunião extraordinária de chanceleres proposta por Quito para tratar da crise.

LULA PREVÊ "SOLUÇÃO DIFÍCIL"
Durante esta terça, o presidente da Colômbia disse que a guerra com seus vizinhos "não interessa" a seu país. Uribe declarou a jornalistas que busca "a derrota do terrorismo pelas vias militar e jurídica". Ele afirmou que não mobilizou tropas para as fronteiras com Venezuela e Equador.

A declaração foi dada após um encontro com o ex-congressista Luis Eladio Pérez, libertado na semana passada depois de quase sete anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Apesar do discurso "pacífico" de Uribe, permanecem tensas as relações entre Colômbia e Venezuela, na esteira do ataque colombiano às Farc em território do Equador no último sábado. Depois que o governo da Venezuela ordenou hoje o fechamento da fronteira com a Colômbia, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, anunciou que vai denunciar Hugo Chávez (presidente da Venezuela) na Corte Penal Internacional alegando "patrocínio e financiamento de genocidas".

Tropas nas fronteiras
Houve registro de movimentação de tropas na fronteira entre Colômbia e Equador. O capitão David Quiñónez, porta-voz da 4ª Divisão "Amazonas" do Exército, que tem sob seu comando a região da selva equatoriana, afirmou à agência AFP: "Está chegando pessoal de outras unidades para reforçar o controle no limite político."

A ameaça de guerra atemoriza equatorianos e colombianos na região da fronteira entre os dois países. Na divisa entre Colômbia e Venezuela, a situação não é mais tranqüila, já que Hugo Chávez também mobilizou tropas para defender seu território um eventual confronto.

Apesar disso, o presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou nesta terça-feira que seu governo buscará uma solução pacífica para a crise. Ontem (3), o Equador havia anunciado rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia, depois que o governo de Uribe anunciou ter provas de elo entre o governo Rafael Correa e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Fechamento de fronteira
Dias depois de o exército colombiano ter invadido o território equatoriano para caçar e matar o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Raúl Reyes, o Equador decidiu romper relações diplomáticas com a Colômbia.

Hoje, o ministro de Agricultura e Terras venezuelano, Elías Jaua Milano, anunciou que o Governo da Venezuela ordenou o fechamento da fronteira com a Colômbia, em uma situação que já registra também a expulsão dos funcionários da embaixada colombiana, informa a agência EFE.

"Tomamos algumas medidas, como o fechamento da fronteira", disse Milano à emissora estatal venezuelana "VTV". A troca de acusações entre os líderes constitui uma queda-de-braço entre o governo equatoriano e o colombiano, e faz com que a crise ganhe contorno continental.

Em resposta à acusação, Correa afirmou ainda na segunda-feira (3) que o ataque colombiano contra um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no país frustrou a libertação da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt e de outros dez reféns da guerrilha, que deveria ocorrer em março no território equatoriano.

"Negociação frustrada"
"Lamento informar que as conversações estavam bastante avançadas para libertar no Equador onze reféns, entre eles Ingrid Betancourt", disse Correa em uma mensagem à nação, na qual justificou a ruptura das relações com Bogotá.

"Tudo foi frustrado pelas mãos belicistas e autoritárias. Não podemos descartar que esta foi uma das motivações da incursão (colombiana) por parte dos inimigos da paz", afirmou o presidente equatoriano.

Correa começou hoje uma visita a cinco países, incluindo o Brasil, para explicar a crise diplomática com a Colômbia. A viagem começa no Peru e passa por Brasil, Venezuela, Panamá e República Dominicana.

Já o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, suspendeu uma visita que faria aos Estados Unidos esta semana, em meio à crise diplomática.

"A visita do ministro Santos foi cancelada", informou a embaixada colombiana em Washington.

Tensão crescente
Na manhã de segunda, o presidente Rafael Correa havia exigido um pedido público de desculpas por parte do presidente colombiano, Álvaro Uribe. Bogotá respondeu acusando o Equador e a Venezuela de colaborarem com a organização terrorista. Correa contestou, afirmando que o contato com a guerrilha foi realizado por motivos humanitários.

"Cabe perguntar o que buscava o governo Uribe eliminando a Raúl Reyes em território equatoriano e logo inventando fatos para vincular-nos com as Farc. Por acaso o objetivo é desestabilizar o governo que se negou a participar do Plano Colômbia?", questionou Correa, fazendo referência ao projeto de combate às guerrilhas e narcotraficantes colombianas financiado pelo governo dos Estados Unidos.

A troca de acusações teve o efeito de um rastilho de pólvora: Venezuela, Colômbia e Equador protagonizam uma crise diplomática sem precedentes.

Em sua maioria, os governos dos países sul-americanos desaprovaram a ação da Colômbia e esperam por uma solução pacífica para o conflito (leia mais).




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