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07/03/2008 - 11h45

Em favela, Lula apresenta Dilma como "mãe do PAC"

Da Redação
Em São Paulo
Atualizada às 15h32

Em visita ao conjunto de favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde lançou obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que Deus abriu sua consciência para que ele lançasse o programa após as eleições 2006, pois, agora, ele não concorre mais à reeleição.

Apesar de tentar negar o uso eleitoral do PAC, diante de centenas de moradores do Complexo do Alemão, Lula fez questão de creditar à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a "maternidade" do programa. "Ela é uma espécie de mãe do PAC", disse o presidente.

Enquanto discursava, exaltando o conflito de classes, o presidente chamou a ministra, que estava atrás de várias pessoas no palanque, para aparecer, na frente, ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). "Ela precisava vir aqui", afirmou Lula, apontando a frente do palanque.

DILMA E O PAC



    Dilma é apontada como o nome preferido do presidente para concorrer pelo PT ao Palácio do Planalto em 2010. Segundo pesquisas, o partido não tem um nome forte para suceder o presidente, já que, pela primeira vez desde o processo de redemocratização do Brasil, o nome de Lula não estará na cédula.

    No segundo evento do dia, em Manguinhos, onde também foi lançado o PAC, Lula voltou a chamar Dilma para a frente do palco. Desta vez, chamou também o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB). "Quero que vocês olhem bem na cara deles", disse Lula. "Esse homem e essa mulher são os chefes que vão olhar a cada dia, a cada semana, a cada mês, as obras do PAC", completou.

    Na Rocinha, na última apresentação do programa, a cena se repetiu. Pediu para que Pezão e Dilma, que estava de boné, se levantassem. "Eu queria que vocês olhassem para algumas pessoas", disse o presidente para quem acompanha o evento.

    "Pelo Rio de Janeiro, é o Pezão, pelo governo federal é a Dilma. Ela é a responsável por toda a organização e pelo controle nacional do PAC. Eles têm o compromisso legal, moral e político de fazer acontecer o que eu e o Sérgio [Cabral] assinamos, a ordem de serviço para que as obras comecem aqui na próxima segunda-feira", disse Lula.

    Para o presidente, o PAC é um programa que beneficia os setores de saúde, educação, lazer e servirá também para reduzir a violência.

    Conflito de classes

    O presidente afirmou ainda que muitos políticos no país "não gostam de pobres". Disse também que os moradores das favelas do Rio também têm direito de freqüentar as praias cariocas.

    "Quando um pobre for para Copacabana, não podem pensar que ele está fazendo arrastão. O pobre não pode ficar confinado a um piscinão", disse Lula no Complexo do Alemão.

    Na Rocinha, o presidente falou de violência. "A polícia não pode entrar na favela batendo em todo mundo", afirmou.

    A visita de Lula foi cercada por um forte esquema de sugurança. Atiradores de elite e homens do Exército foram posicionados para tentar garantir a segurança do presidente.

    Além do Complexo do Alemão e Manguinhos, as obras também serão realizadas na Rocinha. A previsão total de investimento é de R$ 1 bilhão na construção de casas, equipamentos públicos, área de lazer, pavimentação de ruas e obras de saneamento básico.

    Em cada apresentação, foi exibido aos moradores das favelas um vídeo com animações em 3D, mostrando como devem ficar as obras após serem concluídas.

    Na Rocinha, o presidente da UPMMR (União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha), Luiz Cláudio de Oliveira, que discursou no evento de apresentação do PAC falando sobre a história da vida do presidente, vestia uma camiseta branca com a frase "Lula, irmão da Rocinha".

    Crianças, com camisetas com os mesmos dizeres, entraram no palanque. Lula soltou uma das várias pombas brancas que foram usadas na cerimônia. "Hoje é um dia glorioso para o Rio de Janeiro e para o Brasil", disse Lula.

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