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12/03/2008 - 13h56

Envolvido em escândalo de prostituição, governador de Nova York renuncia. Saiba quem é seu substituto

Das agências internacionais
O governador de Nova York, Eliot Spitzer, 48, anunciou nesta quarta-feira (12) sua renúncia após a revelação de que ele era cliente de uma rede de prostituição de luxo.

Na terça, os deputados republicanos da Assembléia Estadual de Nova York haviam dado um ultimato para que Spitzer renunciasse depois que o jornal The New York Times publicou informações de que ele teria recorrido aos serviços de uma rede de prostituição.

"Todas as pessoas, qualquer que seja seu poder ou o cargo que exercem, têm de assumir a responsabilidade por seus atos. Eu não posso deixar que meus erros privados interfiram no trabalho público", disse Spitzer, ao anunciar a renúncia, em entrevista coletiva.

Stephen Chernin/AP
Eliot Spitzer anuncia a renúncia ao lado da mulher, Silda
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Ele deu a entrevista ao lado da mulher, Silda Wall Spitzer, com quem é casado há 21 anos e tem três filhas. Ele pediu desculpas pelo que classificou como "comportamento inaceitável".

Carreira meteórica
Spitzer foi eleito governador de Nova York em novembro de 2006, depois de oito anos como procurador-geral do Estado. Bem visto entre os eleitores por sua cruzada contra o crime organizado, ele ganhou o apelido de Eliot Ness e foi eleito com cerca de 70% dos votos dos nova-iorquinos.

Durante sua gestão no cargo, ganhou projeção nacional por combater crimes ligados ao mercado financeiro. Durante sua passagem pela procuradoria-geral de Nova York, ele chegou também a desmantelar redes de prostituição.

De acordo com o New York Times, durante os últimos dez anos Spitzer teria gasto US$ 80 mil (quase R$ 136 mil) com despesas ligadas ao mercado do sexo. A denúncia teria surgido após quatro pessoas terem sido presas em conexão com uma rede de prostituição de alto luxo, conhecida como Emperors Club VIP.

A rede de prostituição promovia encontros entre prostitutas e clientes de alto poder aquisitivo em cidades como Washington, Nova York e Paris. Documentos apreendidos com os quatro acusados apontariam o envolvimento de Spitzer.

A investigação interceptou conversas telefônicas do então governador, em que ele afirmava ter pago US$ 4.300 (mais de R$ 7.200) por um encontro de quatro horas com uma garota de programa identificada como Kristen. No último dia 13 de fevereiro, véspera do Dia dos Namorados nos Estados Unidos, Spitzer teria pago a viagem dessa prostituta de Nova York para Washington, onde ele tinha uma suíte de hotel reservada especialmente para esse encontro.

Além disso, diversos veículos de comunicação norte-americanos afirmam que Spitzer era cliente habitual de empresas de prostituição de luxo. A rede de televisão "ABC" entrevistou uma das prostitutas, "Sienna", 22, que disse ter se encontrado com Spitzer há dois anos, quando este ainda era procurador-geral do estado.

Em declarações ao jornal "New York Post", "Sienna" contou que tinha medo diante da notoriedade de seu ex-cliente e que não conhece "Kristen", a prostituta que acompanhou Spitzer em Washington no dia 13 de fevereiro e por meio da qual os investigadores chegaram ao
governador, o "Cliente 9" da rede.

Segundo o "New York Post", agentes do Escritório Federal de Investigação americano (FBI, na sigla em inglês) "viram Spitzer no hotel Mayflower de Washington no começo do ano, sabendo que ele tentava se encontrar com uma prostituta no local".

A publicação de Nova York também lembrou que outro jornal, o "The Washington Post", falou disso no final de janeiro.

O "New York Post", que cita fontes da investigação, disse também que o próprio governador foi quem deu pistas ao Serviço de Rendas Internas (IRS, na sigla em inglês) quando, "nervoso", tentou esconder dos promotores os pagamentos que fez a uma empresa de serviços de acompanhantes.

Segundo o "Washington Post", Spitzer tentou despistar o fisco dividindo uma transferência bancária de US$ 40 mil em pequenas frações para evitar que o banco informasse as autoridades federais dessa operação, já que é obrigatório fazê-lo em todas as transações que superem US$ 10 mil.

Outro elemento que as autoridades investigam é o serviço de segurança do governador, e se esses oficiais sabiam de algo.

De acordo com diversos veículos de mídia, Spitzer estaria negociando com a Promotoria do estado os termos de sua situação legal. Por enquanto, não há prova alguma de que ele tenha utilizado dinheiro público para fins de prostituição, pois possui uma das maiores fortunas dos Estados Unidos.

Spitzer elegeu-se governador com quase 70% dos votos no final de 2006, após trabalhar durante um período como procurador-geral, despertando muita atenção.

Substituto é deficiente visual
A demissão de Spitzer será efetivada na próxima segunda-feira. Ele será substituído por seu vice, David Paterson, 53 anos, que se tornará o primeiro governador cego e negro de Nova York.
Evan Agostini/AP
Paterson: primeiro negro a governar NY


Membro do Partido Democrata, Paterson é famoso por lutar pelos direitos dos deficientes físicos. Ele permanecerá à frente do governo de Nova York até 2010.

Devido a uma infecção, ainda criança ele perdeu completamente a visão do olho esquerdo e teve as funções do direito muito prejudicada.

Apesar do grave déficit de visão, Paterson caminha há 22 anos pelos corredores do Capitólio sem ajuda. Antes de entrar para o Executivo, em 2006, ele havia exercido o cargo de senador por 11 anos.

O político reconhece as pessoas que estão conversando a poucos metros e memoriza discursos inteiros. Formado em direito pela Universidade de Harvard, ele já jogou basquete e correu uma maratona.

Nas prévias para a eleição do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Paterson apóia a senadora Hillary Clinton. Após o escândalo, a candidata rechaçou o apoio de Spitzer.

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