19/03/2008 - 00h01 EUA não previam que guerra do Iraque seria mais difícil que do Vietnã, diz analista
Fabiana Uchinaka De São Paulo
Os Estados Unidos não esperavam que a guerra do Iraque fosse muito mais difícil de ser vencida do que a Guerra do Vietnã (1958-1975) e agora vêem crescer o antiamericanismo na região. Além de não conseguirem reformular o Oriente Médio e colocar um governante confiável no Iraque, a promessa de deixar o país não deverá ser cumprida tão cedo. Foi o que disse o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, Williams Gonçalves, ao fazer um balanço da invasão, que completa cinco anos no dia 19 de março.
Para Gonçalves, a guerra foi um erro de cálculo, que se converteu em um grande problema político para o governo de George W. Bush, para os líderes internacionais que o apoiaram e, recentemente, para os pré-candidatos à presidência dos Estados Unidos. Ele ressaltou a derrota nas urnas daqueles que apoiaram a ocupação e afirmou que as promessas de campanha dos presidenciáveis americanos, de retirar as tropas, seja com maior ou menor velocidade, não serão cumpridas.
"Todos sabiam que Bush mentia, mas a oposição democrata não ousou desmenti-lo para não enfraquecê-lo. Prevaleceu o patriotismo. Hoje, tanto o candidato republicano, como o candidato democrata que vier a disputar as eleições em novembro terá muita dificuldade em resolver o problema do Iraque", disse.
Segundo o professor, a retirada só pode acontecer quando houver uma estrutura política minimamente sólida e independente, caso contrário o Iraque ficaria enfraquecido, à mercê da maioria xiita e que se aproximaria do Irã. "Apesar de terem derrotado muito facilmente as forças militares de Saddam Hussein, os Estados Unidos nunca conseguiram exercer um real controle político sobre o Iraque", disse. "Até hoje não conseguiram que o governo que eles instalaram no local se fizesse respeitar".
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